Depois de meses de incertezas, apertos financeiros e muito sufoco, estima-se que ao menos 4 milhões dos cerca de 21 milhões de mineiros recebam o novo auxílio emergencial, que começa a ser pago a partir de hoje, em todo o país. O benefício, que será depositado em quatro parcelas, em contas digitais na Caixa, terá o valor médio de R$ 250.

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Embora o Ministério da Cidadania não tenha divulgado, até essa segunda-feira (5), o total por estado, informou que serão 46 milhões de brasileiros beneficiados. No ano passado, quando 68 milhões de pessoas receberam a ajuda federal (e com valores mais generosos, de R$ 600 ao mês, em média), o Estado teve em torno de 10% do quantitativo: 6,4 milhões. A previsão, agora, é de que o percentual se repita. Em Belo horizonte, pelo menos 400 mil teriam direito ao novo auxílio.

Poder de compra do novo auxílio foi duramente afetado pela diminuição dos valores das parcelas, em relação a 2020, e, claro, pela inflação

Ainda de acordo com a pasta federal, um total R$ 23,4 bi serão destinados no país ao público já inscrito em plataformas digitais da Caixa Econômica Federal; outros R$ 6,5 bilhões, a integrantes do Cadastro Único do Governo Federal; e R$ 12,7 bilhões a atendidos pelo Bolsa Família – totalizando R$ 43 bilhões. 

Mesmo com tal montante, o poder de compra do novo ‘coronavoucher’ está seriamente afetado pela diminuição dos valores das parcelas e, claro, pela inflação. “O panorama atual é ainda pior agora do que era no ano passado, quando o auxílio foi editado. Infelizmente, muitos não vão sequer conseguir suprir necessidades básicas com o dinheiro”, destaca o economista do Ibmec, Paulo Casaca.

Uso do auxílio

Repor mercadorias para vender nas ruas. Comprar o leite das crianças. Pagar contas. Garantir o arroz com feijão. Esses serão alguns dos destinos dados ao dinheiro pelos beneficiários do “coronavoucher”. Clenício Alves Rodrigues, de 52 anos, disse que usará o auxílio, que começa a receber hoje, para comprar “água, pipoca e balas para vender” em um sinal de trânsito no bairro Prado, Oeste de BH. 

“Moro sozinho, pago aluguel e não posso conto com a ajuda de ninguém. Mês passado eu fiquei devendo R$ 170 ao dono do imóvel onde vivo. Vou gastar essa ajuda em mercadoria e tentar fazer dinheiro com ela, mesmo com o movimento bem fraco nas ruas”, explica.

Também ganhando a vida entre os carros, o ambulante Lucas Henrique Teixeira, de 27 anos, vê no auxílio a chave para suprir parte da alimentação dos quatro filhos. “Vai dar para comprar um pão e leite para as crianças. O restante a gente trabalha e pede ajuda de Deus”, afirma. Já José Carlos de Oliveira, de 51 anos, vendedor de balas, gostaria de usar o dinheiro para por contas atrasadas em dia – como as de água e luz. Mas crê que os R$ 150 da primeira parcela serão insuficientes. “Queria deixar tudo em ordem, mas não vai dar”, diz.

Moradora do bairro Independência, no Barreiro, a autônoma Daiane Ferreira, de 33, também receberá quatro parcelas de R$ 150. Ella espera poder ajudar um pouco nas despesas dela e dos pais, mas lamenta o baixo poder de comprar do benefício. “Só o gás de cozinha já está a mais de R$ 90. Um quilo de arroz não saí por menos de R$ 25. Não dá para fazer quase nada”, lamenta.

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