O IGP-M é o mais elevado para o mês de março desde o início do Plano Real e também o mais alto em 12 meses desde maio de 2003, quando atingiu 31,05%. Segundo André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa disparada do índice se deve à grande desvalorização cambial, que chegou à casa dos 30% só no ano passado.

De acordo com o economista, a escalada do IGP-M em março se deu principalmente por causa do aumento da gasolina e do diesel, que subiram mais de 20% nas refinarias e afetaram o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por mais de 60% do IGP-M, composto também pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). 

André Braz lembra que, além dos aumentos do diesel e da gasolina, que também chegaram à bomba para o consumidor, houve repasses ao longo da cadeia produtiva. O IPA, como é um índice de preços que mede a inflação do agronegócio e da indústria, também apontou um aumento de preços de commodities, sejam agrícolas, como soja, milho e trigo, sejam metálicas, como minério de ferro, alumínio e cobre, que influenciaram a cadeia produtiva”, lembra.

Segundo o especialista, dessa forma, os produtos que usam alumínio, cobre ou mesmo o ferro ficaram mais caros e fizeram com que o IPA avançasse mais. “Quando a gente soma essa alta de preços das matérias primas com o aumento dos combustíveis nas refinarias e nas bombas, entendemos porque o IGP-M está nesse patamar”, explica.

Já o IPC, também componente do IGP-M, subiu 0,98% em março, ante 0,35% em fevereiro. Quatro das oito classes de despesa do índice registraram acréscimo nas taxas de variação, sendo que a principal foi do grupo Transportes (1,45% para 3,97%). 

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