A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, na manhã desta terça-feira (1), a quarta fase da Operação Carne Fraca, batizada de Romanos, em Minas Gerais e em outros oito estados: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

 A investigação apura crimes de corrupção passiva cometidos por auditores fiscais agropecuários federais que teriam recebido propinas para atuarem em benefício de um grupo empresarial do ramo alimentício. Segundo a PF, há indicativos de que foram destinados R$ 19 milhões para os pagamentos indevidos.

Ao todo, foram cumpridos 68 mandados de busca e apreensão, sendo que apenas um deles foi cumprido em Belo Horizonte. O Estado com mais mandados foi Santa Catarina (22) seguido pelo Rio Grande do Sul (15). Em todo o país, participaram da operação um total de 280 policiais federais. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Ponta Grossa (PR). 

Investigações

De acordo com a Polícia Federal, o inquérito tem como base a colaboração do grupo alimentício, que indicou que ao menos 60 auditores teriam recebido propinas, sendo que 39 deles continuavam na ativa e precisaram ser afastados do órgão federal. Os valores eram pagos em espécie, por meio do custeio de planos de saúde e até mesmo por contratos fictícios firmados com pessoas jurídicas, diz a PF.

A corporação indicou ainda que o esquema teria sido interrompido em 2017, quando o grupo passou por uma reestruturação interna. 

Por meio de nota, o Ministério da Agricultura informou que "as informações sobre os servidores alvos dessa etapa da operação foram enviadas hoje (nesta terça) ao Mapa, que já tomou e continuará tomando todas as providências e sanções legais cabíveis". O Mapa reafirmou ainda "a plena confiança em sua área de fiscalização agropecuária, já reestruturada, e entende que essa situação é uma exceção à regra e não compromete a efetiva atuação de seus 2.500 fiscais", completou em nota. 

Segundo a PF, o nome da operação faz referência a passagens bíblicas do Livro de Romanos, "que tratam de confissão e Justiça".

Confira nota completa do Ministério da Agricultura sobre a Operação Carne Fraca 

"Sobre a 4ª Fase da Operação Carne Fraca, desencadeada hoje (1°) pela Polícia Federal (PF), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que:

1. Como frisou a autoridade policial, a Operação Romanos diz respeito a desdobramentos de investigações relativas a fatos ocorridos até 2017.

2. As informações sobre os servidores alvos dessa etapa da operação foram enviadas hoje ao Mapa, que já tomou e continuará tomando todas as providências e sanções legais cabíveis. Desde a primeira fase da Operação, o Mapa acompanha as investigações, colabora com as autoridades policiais e judiciárias, agindo sempre em defesa da probidade do serviço público.

3. O Ministério reafirma a plena confiança em sua área de fiscalização agropecuária, já reestruturada, e entende que essa situação é uma exceção à regra e não compromete a efetiva atuação de seus 2.500 fiscais. Este governo vem fazendo e continuará fazendo a modernização e o aperfeiçoamento do sistema.

Brasília, 1° de Outubro de 2019"

* Com Estadão Conteúdo

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