Em tempos de rendimentos mais modestos na caderneta de poupança, a queridinha dos brasileiros, mudanças recentes feitas pelo governo federal tornaram mais atraente o Tesouro Direto, sistema de venda de títulos públicos à pessoa física na Internet.
 
Com as alterações, a aplicação mínima, se agendada antes, caiu para R$ 30. Para compras tradicionais, sem agendamento, o valor mínimo também caiu de 20% para 10% do valor do título. Tudo para popularizar o investimento, que só em agosto recebeu mais 4.317 novos participantes.
 
As medidas deram o resultado esperado e aumentaram ainda mais a procura pela modalidade. No fim do mês passado, o número total de investidores cadastrados chegou a 313.919, um incremento de 21,2% nos últimos doze meses. Ao todo, foram adquiridos R$ 372,2 milhões em títulos, valor 64,8% superior ao montante de julho.
 
Opções

Os títulos mais procurados no período foram os que rendem a variação da inflação mais juros (NTN-B e NTN-B Principal), cuja participação nas vendas atingiu 74,4%. Os títulos pré-fixados (LTN e NTN-F) ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos, com participação de 21,5%. Já os papéis do tipo LFT, indexados pela Selic (taxa básica de juros), apresentaram participação de 4,2% nos negócios no ultimo mês.
 
“Seja qual for o título, todos oferecem ganhos superiores ao CDI e à poupança”, afirma o vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-MG), Fabrício Augusto de Oliveira, que não aposta em nova queda da Selic, hoje em 7,5%.
 
“A taxa básica de juros da economia não deve cair mais. De qualquer forma, o título renderá o que foi acordado anteriormente”, diz. Já a inflação, nos últimos 12 meses, está em 5,24%.
 
Rentabilidade

Quanto mais distante é a data de vencimento do título — que será o dia do resgate do valor aplicado acrescido de juros — maior será o “prêmio” pago pelo Tesouro. Por isso, explica o analista de mercado Paulo Vieira, é tão importante evitar resgatar o título antes da hora.
 
“Se o investidor permanecer com o título até o final, ele sempre vai receber a remuneração que foi pré-acordada no momento da compra. Entretanto, quem optar por vender o título antes do vencimento pode se deparar com uma grande volatilidade e acabar até mesmo com rentabilidade negativa”, adverte Vieira.
 
Segurança da aplicação conquista investidor de perfil conservador

O Tesouro Direto tem brilhado aos olhos dos investidores por uma outra razão: é um investimento altamente seguro, com risco de calote praticamente nulo, já que na prática o investidor está emprestando dinheiro para o governo. “Como a economia brasileira vive um bom momento, as chances de o país quebrar são baixíssimas, fazendo com que o risco de crédito deste tipo de aplicação seja um dos menores do mercado”, avalia o vice-presidente do Corecon-MG, Fabrício Augusto de Oliveira.
 
Os títulos também são uma aplicação conservadora e barata. Não há cobrança de taxa de administração, que, em fundos de investimentos, leva parte da rentabilidade. São cobradas apenas uma taxa de negociação (0,1% por valor da operação) e uma taxa de custódia (0,3% ao ano) pela Bovespa.
 
Para pequenos

“O Tesouro Direto é um investimento muito recomendado para pequenos investidores porque é acessível, cobra taxas menores e tem retorno financeiro atraente. Mas é preciso conhecer como funciona. É mais recomendado, por exemplo, para aplicações de médio e longo prazo”, comenta o analista de mercado Paulo Vieira.
 
Limitação

Um dos únicos inconvenientes, esclarece, é que o investidor só consegue revender seus papéis uma vez por semana, somente às quartas-feiras. “Há uma limitação de liquidez porque não se pode resgatar valores a qualquer momento, como ocorre na poupança”, diz.