A alta no preço dos principais insumos para produção de ração - soja e milho - deve forçar um novo reajuste no preço da carne suína paga ao produtor, que já registrou elevação de 32,3% de julho para agosto. No caso do quilo do frango, que subiu 23,6% no mesmo período, a situação de custos de produção é semelhante, mas o mercado não aceita novas correções de preço.

Tanto na suinocultura como na avicultura, o custo de produção está em paridade com o preço final ao produtor.

A seca nos países produtores de soja e milho da América do Sul nos primeiros meses do ano acarretou na elevação dos preços e, mais recentemente, a forte seca nos Estados Unidos, que frustrou a safra de milho este ano, reforçou o movimento de alta no preço tanto do milho como da soja.

Menor produção lá fora corresponde à exigência de maior exportação brasileira, gerando escassez do produto e preços mais elevados.

Custo
 
O custo de produção do quilo do suíno em Minas Gerais varia de R$2,70 a R$ 3,20, conforme a região. Com o preço médio de venda do quilo aos frigoríficos de R$ 3,44 em agosto e R$ 3,20 para este mês, os produtores devem repassar o aumento dos custos para evitar prejuízos. “O preço deve voltar a subir em outubro e ficar próximo de R$ 3,40. Com a oferta escassa e demanda equilibrada, há espaço para reajuste”, afirmou o vice-presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), José Arnaldo Cardoso Penna.

Para os criadores de frango a situação é mais complicada. “Não vamos conseguir repassar o aumento dos custos porque não há movimento de alta na demanda e por enquanto ninguém diminuiu a produção. Quem conseguir contabilizar prejuízo por mais tempo se salva. Quem não tiver porte para isso sai do mercado”, avaliou o produtor e ex-presidente da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Aviminas), Tarcísio Franco.

Regiões
 
A expansão dos custos de produção é percebida de forma diferente, de acordo com a região. Quanto maior a proximidade com regiões produtoras de soja e milho, menor é o preço desses produtos.

Desta forma, as regiões do Triângulo e Alto Paranaíba sofrem menos, enquanto na Zona da Mata a situação é mais alarmante
 
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