O setor automotivo está praticamente parado em Minas Gerais. Os pátios lotados têm forçado as montadoras do Estado a reduzir produção e manter funcionários em casa. A Fiat Chrysler Automóveis (FCA), depois de demitir cerca de 3 mil funcionários, concedeu licença remunerada para outros 4 mil; a Mercedes-Benz, de Juiz de Fora, está totalmente parada por tempo indeterminado; e a Iveco, de Sete Lagoas, que já suspendeu temporariamente seus trabalhadores, negocia a adequação do pessoal à queda na produção com o Sindicato dos Metalúrgicos local.
 
Segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o emplacamento de veículos no país caiu 40,2% em três anos. Na comparação entre os sete primeiros meses de 2013 (último ano antes da crise) e no mesmo período de 2016, as vendas das montadoras encolheram em 1,25 milhão de veículos.

No caso da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), a maior montadora do Estado, houve queda de 37,24% nas vendas somente em um ano. O emplacamento de veículos da marca passou de 274.777, entre janeiro e julho de 2015, para 172.447 no mesmo período de 2016.

Diante da redução, a empresa colocou em licença remunerada 4 mil funcionários por dez dias, desde a última quarta-feira. Ao longo do ano, ela realizou uma série de paradas técnicas e concedeu férias coletivas. Já foram duas férias neste ano, sendo uma de 20 dias em janeiro e outra de 10 dias em abril. A montadora admite que uma recuperação é esperada apenas para 2017.

Segundo o presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Betim, João Alves, no prazo de dois anos a empresa passou de uma produção diária de 3.400 carros para 1.500. O sindicato estima uma demissão de 3 mil pessoas neste ano, com possibilidades de mais cortes até o fim do exercício (demitidos com menos de um ano de casa não homologam demissão no sindicato).

A Iveco vive situação semelhante. Segundo o presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Sete Lagoas, Ernane Geraldo Dias, a empresa sinalizou interesse em negociar um Programa de Demissão Voluntária. O excedente de funcionários chegaria a 500, do total de 2.300. Uma decisão judicial impede a empresa demitir até 30 de setembro.

Já a Mercedes-Benz está com a produção totalmente parada em Juiz de Fora. A empresa negocia PDV na planta de São Bernardo do Campo. Em Minas Gerais, a falta de peças e conjuntos produzidos em São Paulo, fez com que 95% dos 750 trabalhadores entrassem em licença remunerada na quarta-feira passada, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, João César da Silva. Procurada, a empresa detalhou apenas o PDV de São Bernardo do Campo e disse que as medidas não afetariam a unidade mineira.


Esperamos que inicie um ciclo de crescimento no próximo ano
Fiat Crrysler Automóveis
Em nota


Fábrica da Fiat, em Betim: para adequar o quadro de pessoal à queda de 37% nas vendas, a montadora já demitiu ou colocou em licença remunerada sete mil metalúrgicos

LEO LARA/DIVULGACAO FIAT


Fornecedores de peças enfrentam queda na demanda de 50%

O mau momento vivido pelas montadoras de veículos tem levado a reboque as autopeças mineiras. Em três anos, o segmento teve uma queda de 50% na produção, segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores e da Câmara Automotiva da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fábio Sacioto.

Na comparação entre os sete primeiros meses de 2015 e o mesmo período de 2016, a redução foi de 23%. “Assim como a Fiat, as indústrias autopeças estão se adequando à baixa demanda. É uma cadeia produtiva. Logo, é normal que a realidade das montadoras se torne tendência entre as demais empresas”, afirma.

Isso significa dizer também que está ocorrendo demissões, férias coletivas e licenças remuneradas nas autopeças. Algumas fecharam as portas.

Aquelas que resistem buscam alternativas. Uma delas é a exportação. E, nesse caso, o foco são os países do Mercosul, especialmente a Argentina, mas também países europeus e Estados Unidos. Porém esse movimento não é tão rápido.

“Estamos em processo de reconquista de mercado e isso demora. Sem contar que as oscilações cambiais também atrapalham. Cada hora que fechamos contrato, o retorno é diferente”, afirma.

Exportação
Outra estratégia é a ampliação do mix de produtos, com vistas ao atendimento de outros setores. O problema nesse caso é encontrar um segmento demandante, uma vez que a crise é geral. Por essa razão, não há projeção de melhora para as autopeças neste ano.

Segundo o consultor do setor automotivo, Milad Kalume Neto, o esperado é que os emplacamentos retomem o volume de 2013 apenas em 2021. Para 2017, é projetado um crescimento de 2%, bem aquém dos 40,24% de queda registrada desde 2013.

“Estamos vivendo uma crise sem precedentes no setor. É reflexo das crises econômica e de confiança que estamos vivendo”, afirma. Para ele, uma retomada depende de definição política no país.

Montadoras reduzem produção o quanto podem; Mercedes está parada