Pelo segundo dia seguido, o mercado financeiro brasileiro se descola totalmente do exterior e se fixa no quadro político interno, reagindo nesta sexta-feira (4) à notícia de que a Polícia Federal realizou nesta manhã a 24ª fase da Operação "Lava Jato" no prédio do ex-presidente Lula e de seu filho Fábio Luis.

O Ibovespa sobe cerca de 3% -com destaque para a valorização das ações das estatais Petrobras e Banco do Brasil- e o dólar recua mais de 2%. Os juros futuros operam em baixa, assim como o CDS brasileiro, uma espécie de seguro contra o calote da dívida do país.

O real apresentava a maior valorização ante o dólar entre as moedas de países emergentes. Após ter perdido mais de 3% mais cedo, o dólar à vista recuava há pouco 2,24%, a R$ 3,7209, e o dólar comercial perdia 1,97%, a R$ 3,7280.

Os juros futuros também caíam, influenciados pela baixa do dólar: o contrato de DI para janeiro de 2017 passava de 14,040% na véspera para 14,035%; o contrato de DI para janeiro de 2021 recuava de 15,070% para 14,680%.

Também apresentam alta expressiva os papéis do setor financeiro, Vale e siderúrgicas. A exceção eram os papéis de exportadoras, que recuavam com a queda do dólar.

"A notícia do dia que os mercados estão repercutindo é, sem dúvida, a condução coercitiva de membros da família Lula da Silva. De ontem (3) para hoje tudo ganhou enorme velocidade e a situação fica quase insustentável. Os mercados reagem a tudo isso e certamente vamos ter mais um dia de descolamento dos mercados externos", afirma Alvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais, em relatório.