O calvário da Usiminas segue pelo menos até o início do próximo mês, quando será realizada nova reunião do Conselho de Administração da empresa, provavelmente no dia 3. Na reunião de ontem, os sócios controladores – os grupos ítalo-argentino Techint/Ternium e japonês Nippon Steel e Sumitomo Metal – apresentaram propostas de solução para a crise de liquidez que a Usiminas atravessa, mas sem consenso.

Mesmo sem aprovar nenhuma decisão, a reunião de ontem não foi um fracasso. Serviu para um início de diálogo e a retomada das negociações entre os sócios, que não conversam por vias informais desde setembro de 2014, quando três diretores executivos da Ternium, incluindo o ex-presidente Julian Egurén, foram destituídos da Usiminas ao final de uma briga na Justiça aberta pela Nippon.

Foram três as principais propostas apresentadas: A primeira, e mais importante, a de uma injeção de capital novo na siderúrgica pelos sócios controladores, o que poderia ser feito por empréstimo, chamada de capital ou ambos. Essa proposta, feita pela Nippon, foi recusada pela Ternium, que não aceita colocar mais dinheiro na Usiminas enquanto não lhe for restituída a direção executiva.

A segunda, uma paralisação dos pagamentos das obrigações financeiras aos bancos credores por 180 dias, numa espécie de moratória negociada, para que a empresa e seus sócios tenham tempo para a formulação de um plano de recuperação econômica. Feita pela Ternium, não foi aceita pela Nippon sob alegação de que o não cumprimento de pagamentos a bancos japoneses traria dificuldades para o grupo.

A terceira, a transferência de pouco mais de R$ 1 bilhão do caixa da Mineração Usiminas para a siderúrgica, como medida emergencial para garantir a solvência da empresa por alguns meses. Também feita pela Ternium e não aceita pela Nippon, que defendeu que o capital da empresa de mineração é dividido com a Sumitomo e a medida precisaria ser negociada com o sócio, apesar de fazerem parte do mesmo grupo empresarial no Japão.

Uma quarta saída para a crise não foi sequer citada na reunião: a venda de participação entre os sócios, o que colocaria um ponto final na briga pelo controle da empresa e abriria as portas para sua capitalização.

Se não houve decisão, ao menos as propostas foram oficialmente colocadas e passam, agora, a ser negociadas. Hoje, com a divulgação dos resultados financeiros da Usiminas no quarto trimestre do ano, se terá uma noção mais exata de quanto tempo resta à empresa para uma solução. A se repetir o resultado do trimestre anterior, quando a empresa apresentou prejuízo de R$ 1,2 bilhão, ebitda negativo e um caixa em franca deterioração, esse tempo será muito curto.