Organizar as contas do próprio negócio é tarefa essencial para qualquer empresa que queira crescer, afirmam especialistas. Para microempreendedores individuais (MEIs), um dos principais cuidados é não misturar as finanças pessoais com o fluxo financeiro comercial. No entanto, segundo o Sebrae Minas, mais da metade dos 600 mil MEIs mineiros utilizam conta bancária de pessoa física para movimentar, também, as finanças empresariais.

Fugir do pagamento das tarifas bancárias é o principal motivo para que os microempreendedores evitem a abertura de conta específica para os negócios, segundo apontou a pesquisa “Microempreendedor Individual – Relacionamento Bancário e Regularidade Fiscal”, realizada pelo Sebrae Minas. Mas existe também o desconhecimento das vantagens oferecidas pela segunda conta.

Empréstimos

e acordo com o Gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Minas, Alessandro Chaves, o MEI com conta de pessoa jurídica tem maiores chances e melhores condições para a tomada de crédito.

“Além disso, o MEI pode contratar serviços específicos de pessoas jurídicas, como cobrança bancária por meio da emissão de boletos. São alternativas de recebimento com um custo relativamente baixo”, explica.
Os bancos oferecem outras facilidades para as pessoas jurídicas. “As vendas com máquina de cartão de crédito podem ser usadas como garantia em empréstimo para capital de giro. Ele pode acessar ainda seguros, previdência e demais serviços bancários que podem fazer a diferença no negócio”, destaca Chaves.

Controle financeiro rigoroso é vital para a saúde do negócio

Administrar um conta bancária de pessoa jurídica exige rigor de quem está empreendendo. O gerente do Sebrae Minas Alessandro Chaves ressalta que é comum ver microempreendedores, mesmo com contas separadas, misturando gastos da família com os do próprio negócio.

“Só manter contas diferentes não garante que o empreendedor consiga se organizar. Ter sempre em mãos os extratos de cada conta é um ótimo instrumento de controle financeiro. Até mesmo para comparar taxas e escolher o melhor banco”, garante Chaves.

A manicure Flávia Barbosa decidiu apostar todas as fichas em um serviço de atendimento personalizado e em domicílio. “Já tenho CNPJ e emito nota fiscal. Acabei de criar minha conta de pessoa jurídica”, diz.

O churrasqueiro Wanderley Diniz, que criou o serviço de churrasco Brazzero Bom há cerca de dois anos, explica que pretende criar a conta de pessoa jurídica tão logo a economia volte a aquecer. “O problema é que a crise atrapalhou muito. Mas sei das vantagens desse tipo de conta”, explica. Natanael de Miranda Souza, que abriu o trailer Rei da Tapioca, é outro microempreendedor, atendido pelo Sebrae Minas, que já está em processo de abertura da conta jurídica.

A manicure Flávia Barbosa, que já tem CNPJ e acaba de abrir a conta bancária da pessoa jurídica

A manicure Flávia Barbosa, que já tem CNPJ e acaba de abrir a conta bancária da pessoa jurídica. Foto: Ricardo Bastos



Desinformação sobre bancos é grande entre empreendedores

Estão no setor de serviços 56,2% dos Microempreendedores Individuais de Minas. O comércio vem logo em seguida, com 34,8%, e a indústria com 9,0%, segundo mapeamento do Sebrae Minas. Dentro desse universo, apenas 13% não possuem conta bancária.

A desinformação ainda é comum entre os microempreendedores. De acordo com a pesquisa, 81,3% deles não conhecem nenhum dos benefícios das linhas de crédito específicas para pessoas jurídicas.

A maioria dos MEIs mineiros também não tem o hábito de procurar por tarifas bancárias mais baratas. Cerca de 57,5% dos microempreendedores não sabem sequer que é possível fazer portabilidade de operações bancárias como empréstimos ou financiamentos de um banco para outro.

A pesquisa do Sebrae Minas demonstra ainda a diversidade de atividades realizadas pelos MEIS mineiros: 10,2% atuam no comércio de artigos de vestuário e acessórios; 8,6% são cabeleireiros; 4,2% estão na construção; 3,3% estão em bares e 3%, em lanchonetes.

Essa diversificação motivou a expansão da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs). Em 2013, haviam 297 CNAEs. Hoje, os microempreendedores já podem se enquadrar em 479 classificações.