A Páscoa já chegou às gôndolas dos supermercados, mas a crise financeira deve azedar a venda de ovos de chocolates. Com os preços nas alturas e a renda lá embaixo, o consumidor deve privilegiar a compra de itens mais baratos, como caixas de bombons, coelhinhos e tabletes. Outra saída encontrada pelas grandes redes foi investir em guloseimas de marca própria.

Nas lojas do grupo Super Nosso, a montagem das parreiras está a todo o vapor. “Algumas unidades ainda estão com a produção pela metade, mas até o início da próxima semana estará tudo pronto”, diz gerente de marketing da rede, Maida Sales.

A previsão para este ano é crescer até 10% na venda de caixas de bombom e outros itens de menor valor agregado. Já a comercialização dos tradicionais ovos da Páscoa deve ser bem mais magrinha.

“Teremos uma retração de 8% nas vendas de ovos”, admite Maida. Segundo ela, até mesmo a indústria está mudando a forma de produzir, com a adequação das mercadorias à nova realidade econômica e de consumo dos brasileiros.

Nas unidades do Verdemar, as prateleiras também estão sendo recheadas de ovos de diversos tamanhos e marcas. Mas a grande aposta da rede será mesmo na fabricação própria de colombas pascais doces. São nove sabores, sendo seis trufados.

“Com a produção própria, esperamos vender 10% mais em relação ao ano passado. Mas não será necessária a contratação de profissionais temporários para a época”, diz a gerente industrial do Verdemar, Paula Vias. Quanto à venda de ovos industrializados, a rede não divulgou a previsão.

As lojas Extra e Pão de Açúcar de Minas Gerais começam a receber nesta semana os primeiros ovos de Páscoa Qualitá, que é a marca própria do grupo. Para esses produtos, a expectativa é vender 5% mais, ante 2015.

Cursos

E com o dinheiro curto para os ovos industriais, cresce a procura por cursos que ensinam as técnicas da fabricação artesanal. “A crise deve aumentar a procura em pelo menos 10%. Há alunas que desejam aprender para presentear e economizar, mas a maioria quer incrementar a venda”, diz a diretora da Maria Chocolates, escola e loja de artigos para doceiras, Vanessa Campos. As aulas custam a partir de R$ 20.

Mais concorrência para a empresária Érica Martins, da Art et Chocolate. “Será a Páscoa das lembrancinhas, com muita gente produzindo em casa para incrementar a renda.

Data deve gerar 1.700 vagas temporárias em Minas

Diferentemente de outros anos, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) informou que não comentará as expectativas para a data em 2016.

Mas o vice-presidente de chocolate da entidade, Ubiracy Fonseca, reconhece as dificuldades em um cenário em que ovo pode ser considerado artigo de luxo. “O país está enfrentando uma crise e todo o cenário econômico e político do Brasil é negativo para o seu crescimento e, consequentemente, do nosso segmento”, diz.

Ainda assim, a Abicab espera que sejam gerados cerca de 29 mil empregos temporários no país, com ênfase no pessoal de comercialização. Não há números oficiais para Minas. No entanto, Cacau Show, Lacta e Nestlé devem gerar, juntas, até 1.700 vagas temporárias no Estado.