Depois que o grupo de instituições que mais acertam as projeções para a inflação no médio prazo (Top 5) apontou para uma inflação muito acima do teto da meta do ano que vem (de 6,00%), as demais participantes do Relatório de Mercado Focus também jogou para cima suas expectativas. De acordo com o documento divulgado nesta segunda-feira, 1º, pelo Banco Central, a mediana das projeções subiu de 5,65% na semana passada para 5,80% agora. Há um mês, estava em 5,20%.

No Top 5, a mediana permaneceu em 7,19% - quatro semanas atrás estava em 5,50%. Essa elite prevê também que o IPCA deste ano ficará em 7,79% ante taxa prevista anteriormente de 7,92% e de 7,44% verificada quatro semanas atrás. Todos os números já estão acima do teto da meta para o período, de 6,50%. A pesquisa geral, por sua vez, revelou alta de 7,23% das previsões para a inflação deste ano, para 7,26%. Quatro edições do Relatório Focus, o patamar era de 6,87%.

No caso das expectativas para a inflação suavizada 12 meses à frente, a mediana saiu de 6,91% para 6,82% de uma semana para outra - há um mês, estava em 6,94%. Para o curto prazo, houve correção das expectativas para a taxa para janeiro de 2016, que foi modificada de 1,05% para 1,06%. Um mês antes, estava em 0,85%. Para fevereiro, a mediana das previsões continuou em 0,85% (0,80% um mês atrás).

De acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em dezembro, o BC projeta que a inflação encerre este ano em 6,2% no cenário de referência e em 6,3% pelo de mercado. Para 2017, a estimativa da autoridade monetária está em 4,8% pelo cenário de referência e de 4,9% pelo de mercado. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, a instituição informou que houve aumento desses porcentuais nos dois casos em ambos cenários.

Essa piora das previsões para a inflação ocorreu depois de uma semana tumultuada para a política monetária. No primeiro dia do Copom, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um comentário surpresa sobre as novas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste e do próximo ano. A ação seguinte do colegiado foi a manutenção dos juros básicos da economia em 14,25% ao ano. Até o comentário de Tombini, a expectativa maciça do mercado financeiro era de alta de 0,50 ponto porcentual da Selic.

Preços administrados

Continua a diminuir a sensação do mercado financeiro de que os preços monitorados ou administrados pelo governo darão trégua à inflação deste ano. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, analistas estimam que esse conjunto de preços terá alta de 7,70%. Na edição anterior, a elevação prevista era de 7,62% e, na edição de um mês atrás, a projeção era de 7,50%. De qualquer forma, as projeções para esse conjunto de itens segue bem abaixo da alta vista no ano passado, que ficou em 18,07%.

No caso de 2017, a mediana das expectativas permaneceu em 5,50% pela oitava semana consecutiva. O BC conta com forte desinflação desse segmento este ano para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% . No último Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, o BC escreveu que, em 2016, a dinâmica dos preços administrados, aliados a outros componentes, são "fatores importantes do contexto em que decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 2017".

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, a previsão do BC para os administrados saiu de 5,9% para 6,3% e a de 2017 ficou em 5%. NO documento, o BC enfatizou a alta dos preços das tarifas de transporte público ocorrida em várias capitais do País.


IGPD-I

O Relatório de Mercado Focus mostrou que as projeções para o IGP-DI deste ano voltaram a subir, após terem disparado na semana passada. A mediana passou de 6,96% para 7,00% de uma semana para a outra. Quatro semanas atrás, estava em 6,14%. Para 2017, a perspectiva de alta de 5,50% desse indicador foi mantida. Quatro edições atrás da Focus, a mediana para o IGP-DI estava em 5,30%.

O boletim Focus trouxe também que o ponto central da pesquisa para o IGP-M de 2016 passou de 6,75% para 7,18% de uma semana para outra - um mês antes estava em 6,51%. No caso do ano que vem, a expectativa dos participantes é a de que o principal índice de inflação referência para reajuste de aluguéis suba 5,49%, de acordo com o boletim Focus - estava em 5,48% no levantamento anterior e em 5,20% no realizado quatro semanas antes.

O IPC-Fipe para 2016 passou de 6,14% para 6,27%, segundo a pesquisa Focus de hoje. Um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 5,81%. Para 2017, a inflação de São Paulo subirá, pelo boletim Focus, 5,18%, como já estava no levantamento anterior. Quatro edições atrás do documento estava em 5,00%.