As vendas do varejo em Minas Gerais caíram pelo oitavo mês consecutivo. Em agosto, o comércio fechou com queda de 2,8% na comparação com igual mês do ano passado e acumulou retração de 0,3% em 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além de ser o pior em 15 anos para o acumulado, o resultado decreta: o comércio mineiro fechará 2015 no vermelho. “Dificilmente haverá uma retomada”, avalia o analista de Economia do IBGE, Antonio Braz.

O cenário macroeconô-mico explica a retração. Com a inflação acima dos 10% em Belo Horizonte, o consumidor tem a renda corroída e acaba gastando mais para manter o padrão de vida. O desemprego em 6,7% na capital (2,5 pontos percentuais maiores do que no mesmo mês de 2014) assusta, fazendo com que muita gente deixe de gastar. Por fim, a taxa básica de juros em 14,25% eleva as prestações das compras a crédito e barra esse tipo de comércio.

Móveis

É o caso dos móveis, cujas vendas no varejo caíram 2,5% em agosto, comparado ao mesmo período de 2014. No ano, houve retração de 13% frente ao intervalo de janeiro a agosto de 2014, e recuo de 12,6% no acumulado de 12 meses.

A presidente da Associação dos Lojistas do Polo Moveleiro da Silviano Brandão e Região, Eliana Reis, confirma que o setor amarga uma queda vertiginosa. No entanto, ela comenta que as lojas da Silviano Brandão têm se saído melhor do que as situadas em outros pontos da cidade e região metropolitana.

“As lojas que estavam desocupadas estão sendo alugadas por quem busca um melhor ponto”, disse.

Efeito ímã

Para atrair o público, os lojistas da Silviano Brandão desenvolvem diversas ações. Uma delas é o Sábado Bistrô, com o oferecimento de quitutes típicos do Estado. “É o jeito mineiro de atender”, frisa a representante dos lojistas.

Apesar de também ter perdido vendas na loja que administra, a Lidê, Eliana segue esperançosa. “Acredito que vamos recuperar em breve”.

Economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Ana Paula Bastos afirma que as estratégias para atrair o cliente contam muito. Elaborar planos para corte de gastos supérfluos e de aumento da produtividade também são importantes.

“O lojista deve investir em promoções, mas sem reduzir muito o lucro. O ideal é planejar o estoque e investir em produtos diferenciados”. Ana Paula reforça que apostar em um mix com preços mais acessíveis pode ser a saída. “Vamos vender menos neste ano, mas ainda não sabemos quanto”, lamenta. Em 2014, o comércio vendeu 2,8% a mais do que em 2013.

Ampliado

O varejo ampliado fechou agosto com retração de 13% no Estado e 4,1% em 12 meses. Mais uma vez, o vilão do subgrupo foi a venda de veículos, motocicletas, partes e peças, com queda de 29,7% no mês e de 11,1% em 12 meses.

Além da taxa de juros, da inflação e do desemprego, a falta de confiança do consumidor no futuro econômico e político do país inibe as compras de produtos de forte valor agregado.