A expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos apenas em 2016 derrubou a cotação do dólar sobre as principais moedas internacionais nesta sexta-feira (9). A medida retardaria uma saída de investimentos de países emergentes como o Brasil, aliviando a pressão sobre o câmbio.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 1,79% sobre o real, cotado em R$ 3,756 na venda. É o menor valor desde 2 de setembro, quando valia R$ 3,746. Na mínima, atingiu R$ 3,723. A moeda acumulou perda de 5,36% na semana.

Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, recuou 0,92%, para R$ 3,759 -menor cotação desde 1º de setembro, quando fechou em R$ 3,686. Na semana, houve queda de 4,74%.

Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar caiu sobre 22. O real teve a segunda maior valorização, atrás apenas da rúpia indonésia. A divisa americana também perdeu força em relação ao euro e ao franco suíço.

A ata do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) divulgada na última quinta-feira indicou que a decisão de manter os juros inalterados em setembro foi pautada na expectativa de que a inflação naquele país deverá se manter abaixo da meta nos próximos anos.

Com isso, as apostas para o início de um ciclo de aumento de juros nos EUA foram postergadas ao próximo ano. A alta da taxa deixaria os títulos do Tesouro americano mais atraentes do que aplicações em emergentes como o Brasil, considerados mais arriscados, causando uma fuga de capitais desses países e encarecendo o dólar.

Os juros futuros nos EUA mostram chance de 10% de aumento da taxa em outubro, enquanto a probabilidade de isso acontecer em dezembro está em 38,8% e em março de 2016 em 62,0%.

"Apesar da avaliação da maior parte do mercado, que enxerga aumento de juros nos EUA apenas em 2016, nossa perspectiva é que a autoridade monetária americana deverá subir a taxa em dezembro deste ano", disse Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos.

"O Fed não deve esperar a inflação nos EUA voltar a subir para elevar os juros para não correr o risco de ter que fazer um aumento acelerado. A autoridade, nesse caso, deve optar por subir bem devagar os juros para não afetar drasticamente os mercados e a economia", afirmou Rey.

No Brasil, o Banco Central deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários para estender os vencimentos de contratos de swaps cambiais que estão previstos para o próximo mês. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 511,6 milhões.

CRISE POLÍTICA

Apesar do alívio externo, o noticiário brasileiro segue mantendo os investidores em alerta. Na véspera, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, asseguraram a investidores que o Brasil vai superar a crise política que ameaça a permanência da presidente Dilma Rousseff no cargo.

O discurso de ambos, que participam de reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional), no Peru, seguiu a decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) de rejeitar, na quarta-feira, as contas do governo de 2014. Apesar de esperada, a medida ampliou a pressão pelo impeachment da presidente.

Tombini reforçou que é preciso manter o nível atual da taxa básica de juros (Selic) "por um período suficientemente prolongado" para a inflação convergir para a meta do governo -de 4,5% ao ano com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo- até o final de 2016.

Mesmo assim, o mercado de juros futuros teve alta nesta sexta-feira na BM&FBovespa. O contrato de DI para janeiro de 2017 subiu de 15,230% na última sessão para 15,560%. Já o DI para janeiro de 2021 passou de 15,320% a 15,650%. A taxa de DI para janeiro de 2016 ficou estável em 14,320%.

AÇÕES EM ALTA

No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira teve alta pelo nono dia. É a maior sequência de ganhos desde agosto de 2010, quando a Bolsa subiu por 11 sessões consecutivas. O Ibovespa fechou com valorização de 0,47%, para 49.338 pontos. Na semana, houve avanço de 4,9% -a segunda semana consecutiva de alta. O volume financeiro foi de R$ 7,8 bilhões.

O movimento foi estimulado pelo bom humor internacional, na esteira da ata do Fed. As principais Bolsas da Europa subiram mais de 0,5%, enquanto os mercados acionários de Nova York tiveram valorizações entre 0,1% e 0,4%. 

As ações preferenciais da Vale, mais negociadas e sem direito a voto, ajudaram a sustentar o ganho do Ibovespa. Esses papéis subiram 2,01%, a R$ 16,26 cada um. Já as preferenciais da Petrobras ganharam 0,57%, para R$ 8,80 -acumulando alta de 29% nas duas últimas semanas.