O cenário econômico adverso tem refletido diretamente no desempenho das empresas, puxando o número de falências para cima. No acumulado de janeiro a setembro deste ano, os pedidos aumentaram 13,6% na comparação com igual período do ano passado. Já as recuperações judiciais cresceram 42,1%, segundo a Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Para o curto prazo, não há expectativa de redução nos índices, segundo avaliação do economista do SCPC, Flávio Calife.

Ele explica que o credor pode pedir a falência de uma empresa quando a dívida ultrapassa 40 salários. “O pedido de falência é a última alternativa. Antes, há protestos e negociações”, diz. Já a recuperação judicial é proposta pela própria devedora, com o objetivo de adiar o débito para organizar as contas e voltar a honrar os compromissos financeiros.

Das empresas que pediram falência, 85% eram pequenas e microempresas (PME). O motivo, segundo o economista, são as dificuldades enfrentadas por esse tipo de empreendimento no mercado financeiro. Quando o assunto é recuperação judicial, o índice é ainda maior: 90% dos pedidos são de PME. “As pequenas empresas não conseguem boas taxas de juros para financiamentos e têm mais dificuldades para aumentar o caixa”, ressalta.

Entre os setores, as companhias prestadoras de serviços representaram 41% das que perderam as condições de arcar com os compromissos financeiros. Em segundo lugar aparecem as indústrias, com 34%, e o comércio, com 25%.