Se depender de combustível, os voos particulares no Aeroporto da Pampulha estão suspensos por tempo indeterminado. O Ministério do Trabalho interditou todos os postos de abastecimento no terminal e os caminhões responsáveis por transportar gasolina, combustível usado por aeronaves menores, ao identificar irregularidades que comprometem a segurança.

Assim, a única forma de uma aeronave decolar da Pampulha nos próximos dias é se já estiver abastecida. A medida também afetará a operação dos voos comerciais, realizados pela Passaredo e, majoritariamente, Azul.

No entanto, os auditores liberaram o uso dos caminhões que transportam querosene – combustível das aeronaves comerciais – no pátio.

“Foi por uma diferença técnica, ponto de fulgor (menor temperatura em que pode se formar uma mistura inflamável). No caso dos voos comerciais, as distribuidoras podem trazer um caminhão-tanque até a porta do pátio e fazer a distribuição internamente sem usar a base”, explica o auditor fiscal do trabalho Marcos Botelho.

As bases a que o técnico se refere são os postos de abastecimento. Os três existentes no terminal foram interditados por problemas com equipamentos não adequados para área classificada (que podem pegar fogo), vaso sob pressão que pode explodir e ausência de proteção contra descarga atmosférica.

Os cerca de 30 voos comerciais que passaram pela Pampulha nesta quinta-feira (10) não sofreram alteração.

Viagens privadas respondem por mais de 80% do movimento

As viagens particulares, fortemente afetadas pela medida do Ministério do Trabalho, respondem pela grande maioria dos voos realizados no Aeroporto da Pampulha. Até julho, tinham sido realizados 30 mil pousos e decolagens no terminal, dos quais 25 mil (82%) de jatos – ou aeronaves fretadas.

“O impacto será enorme. Quem insistir em viajar pela Pampulha terá que desembolsar muito mais, já que será necessário fazer uma parada em algum terminal próximo, como Carlos Prates, Divinópolis ou Conselheiro Lafaiete, para abastecer”, afirma o comandante Guilherme de Pádua Alves. “Sem falar na segurança, já que as aeronaves devem embarcar com tanque lotado e, com isso, mais pesadas”.

Os auditores fiscais do trabalho afirmaram que a liberação dos postos e dos caminhões depende, agora, das distribuidoras. “Têm que comprar equipamentos, sanar as irregularidades, fazer laudos e pedir a suspensão da interdição”, diz Marcos Botelho.

A interdição, realizada entre quarta-feira e nesta quinta-feira (10), foi um resultado da Operação Sonho de Ícaro, iniciada dia 28. A partir de denúncia do Sindicato dos Aeronautas, os auditores inspecionaram os hangares e notificaram os proprietários de aeronaves para que a situação dos pilotos e copilotos (sem vínculo e controle de jornada) seja regularizada.

Para os voos comerciais, a Azul garantiu realizar os que estão previstos. Já a Passaredo não abastece na Pampulha