A inadimplência dos mineiros segue em alta. Depois de fechar junho com alta de 6,31% na comparação com igual mês de 2014, de acordo com dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), houve um aumento de 5,47% no registro de pessoas no Serviço de Proteção ao Crédito em julho, na mesma base de comparação.

Na contramão, um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que os consumidores estão mais conscientes e reduziram, pelo sexto mês, as compras a prazo. “Isso significa que até o fim do ano a inadimplência pode cair. Mas é péssimo que a inadimplência caia em decorrência de uma queda nas vendas”, alerta o presidente da CDL-BH, Bruno Falci.

Macroeconomia

Com a renda do consumidor sendo corroída pela inflação e os juros nas alturas (14,25% ao ano), os brasileiros têm deixado de lado a compra de produtos supérfluos, dando preferência aos básicos. Como reflexo, o comércio tem amargado quedas consecutivas no faturamento.

No início deste ano, Falci ressalta que as perspectivas já não eram boas, mas ainda havia uma previsão de aumento de 1% na receita do setor, na comparação com 2014. Com o avançar do tempo, no entanto, a estimativa é a de que haja uma revisão para baixo no índice. “Os estudos serão apresentados no próximo mês, porém, as expectativas não são as melhores”, lamenta.

A alta taxa de desemprego também é citada pelo executivo como fator responsável por piorar o cenário. Afinal, como as pessoas não sabem se ainda terão emprego no curto prazo, evitam as compras, principalmente aquelas financiadas.

Na prática

Na própria loja do presidente da CDL-BH, a Casa Falci, especializada em locação de material de construção e localizada no Centro de Belo Horizonte, é possível perceber a redução dos parcelamentos. E das vendas. “Nossa única esperança é uma mudança na condução das finanças do governo. É necessário cortar os gastos no próprio governo. Tem que cortar na carne”, afirma Falci.

Na Brinkel, loja de brinquedos localizada no bairro Padre Eustáquio, região Noroeste de BH, as vendas no cartão de débito subiram de 17,5% para 21% de janeiro para junho, de acordo com o proprietário, Altair Rezende. “As vendas à vista estão aumentando timidamente, mas estão”, comenta o empresário.

2,7 foi a queda nas vendas a prazo registrada no acumulado do ano, ante igual período de 2014, segundo levantamento da CNDL