Termômetro da economia, a indústria de máquinas e equipamentos registrou, em maio, utilização da capacidade instalada de 65,7%, o menor nível da série histórica, iniciada em 1994, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O volume de pedidos em carteira também é o menor da história, com queda de 18,6% contra maio de 2014.


O péssimo desempenho corrobora os dados divulgados nesta quarta-feira (24) pelo Banco Central, que projeta queda de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) e inflação de 9% para este ano.


A expectativa é de que o faturamento do setor de máquinas e equipamentos em 2015 seja 14% inferior ao registrado em 2014, de acordo com o diretor regional para Minas Gerais da Abimaq-MG, Marcelo Veneroso.


“A indústria mineira parou. E agora vai piorar”, lamenta. A Fiat, por exemplo, deu férias coletivas para dois grupos de dois mil funcionários em meses consecutivos. A Vale também tem adotado medidas para reduzir estoque.


Quebradeira


Frente ao cenário nebuloso, Veneroso admite que empresas de médio e grande porte estão deficitárias, correndo o risco de pedir recuperação judicial.


Ainda de acordo com ele, se a proposta de redução da desoneração da folha de pagamento for adiante, a expectativa é a de que pelo menos nove mil trabalhadores do setor de máquinas sejam dispensados em Minas Gerais até o final do ano. No Brasil, o número pode chegar a 150 mil funcionários diretos.


Hoje, a indústria de máquinas e equipamentos gera 25 mil postos de trabalho no Estado. Pelo menos 3,5 mil pessoas já foram dispensadas desde 2013.


“Não há como segurar os empregados se não temos para quem vender”, justifica.


Ainda de acordo com ele, é necessária uma política tributária diferenciada, desvalorização do real para que o dólar fique na casa dos R$ 3,60 e juros mais baixos.