Os serviços básicos geralmente terceirizados pelas empresas, como limpeza, segurança e administração, parecem passar ao largo da desaceleração da economia. A receita do setor acelerou em abril e cresceu 9,9% em relação a igual mês do ano passado, na contramão do restante do setor de serviços, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Apesar da crise, serviços básicos como limpeza e administração, intensivos em mão de obra, não estão sofrendo muito. A empresa não corta este tipo de serviço", disse Juliana Paiva Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do órgão.

Por outro lado, os serviços técnico-profissionais tiveram queda nominal de 2,3% na receita no período. "Esses serviços têm mão de obra mais qualificada, são consultores, advogados, técnicos. É o primeiro que sente o corte das empresas", explicou a gerente.


Transportes

Os serviços de transporte aéreo tiveram, em abril, a terceira queda seguida na receita nominal na comparação com igual período do ano passado. A queda nas tarifas e a menor demanda corporativa estão por trás pelo fraco desempenho, que já leva o setor a ver sua receita bruta encolher 1,2% no acumulado de 2015.

"Abril foi o terceiro mês de queda nominal, algo inédito na série", diz Juliana. Segundo ela, a queda nos preços de passagens contribui para a sequência negativa. Só neste ano até abril, os bilhetes já ficaram 32,03% mais baratos de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

"Além disso, o maior demandante (por transporte aéreo) é corporativo, e as empresas estão cortando viagens de seus funcionários", contou Juliana. "O efeito não é pior porque tem incentivo das companhias aéreas para o transporte aéreo para lazer. Antes, mais de 60% da ocupação dos voos eram das empresas, perfil que está mudando agora", acrescentou.

Comunicação

Em meio ao ajuste fiscal, os governos federal, estaduais e municipais têm reduzido as verbas destinadas a publicidade e propaganda. Com isso, o segmento de serviços de informação e comunicação tiveram queda nominal de 0,1% na receita em abril ante abril de 2014, segundo o IBGE.

"Por parte do governo e de grandes instituições há um corte de verba para publicidade e propaganda, principalmente aquela destinada à TV aberta", contou Juliana Paiva Vasconcellos, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "A conjuntura não está favorável", acrescentou.

O setor mais atingido é o de serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias, que teve queda de 6,8% na receita nominal em abril ante abril de 2014. Trata-se da maior retração da série, iniciada em janeiro de 2012. No ano, No ano, o segmento também acumula queda nominal de 2,8% na receita.