Com o desafio de preparar a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater) para um futuro sustentável, o presidente Amarildo José Brumano Kalil diz que entre as prioridades está capacitar os profissionais para modernizar a empresa. Nesta entrevista ao “Força do Campo”, ele fala ainda sobre agricultura irrigada e as dificuldades com a falta de recursos para viabilização de projetos.

Qual é o público atendido pela Emater e onde está distribuído?

A Emater-MG atende a 400 mil agricultores familiares. Estamos presentes em 789 municípios, ou seja, em 93% do Estado. Além dos escritórios locais e das unidades regionais, temos seis unidades “VERdeMINAS”, onde são desenvolvidos projetos de treinamento e educação ambiental; dois centros de Qualidade do Queijo Minas Artesanal – em Medeiros e em Rio Paranaíba – e um Centro de Comercialização da Agricultura Familiar, em São Francisco, no Norte de Minas.

Quais são os planos para a Emater-MG?

Estamos preparando a Emater para o futuro, mudando para o paradigma da sustentabilidade. Precisamos continuar incentivando a produção e a produtividade para atender às necessidades da população, para garantir a segurança alimentar. Mas a sociedade também demanda da agricultura a prestação de serviços ambientais, como a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos. O nosso grande desafio agora é inserir a dimensão ambiental na atividade rural. A transição do foco no produto para a sustentabilidade é o mais importante. Não podemos apenas focar a lógica da nossa ação no produto, mas, sim, no produtor, na família, na propriedade.

A Emater pode ser considerada uma empresa moderna?

Estamos continuamente capacitando nossos profissionais. No segundo semestre deste ano, terá início o programa de pós-graduação em “Extensão Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável”, com a participação de 400 técnicos de todo o Estado. A ação está sendo realizada em conjunto com o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Universidade Federal de Lavras. Também iremos aprimorar nossas ações no campo da tecnologia de informação e comunicação. Portanto, podemos concluir que a Emater-MG é uma empresa moderna, mas que precisa se reinventar continuamente para se manter moderna.

Como a Emater tem contribuído para ajudar os produtores a conviverem melhor com a falta de recursos hídricos?

Existe uma ideia formada de que a agricultura irrigada consome 70% da água disponível. Isso não é verdade. A agricultura utiliza uma parcela do que é autorizado pelo órgão gestor. Além disso, a agricultura irrigada capta a água hoje e, 99,9%, dentro de cinco dias, voltam para a atmosfera. Tira do curso, mas devolve a água utilizada ao meio ambiente. Se não fosse a irrigação, teríamos provavelmente desabastecimento de gêneros alimentícios, pois 90% das olerícolas são irrigadas. A irrigação é estratégica. Conseguimos produzir o dobro em áreas irrigadas do que em regime de sequeiro. De qualquer forma, precisamos melhorar a eficiência no uso dos recursos hídricos na agricultura. Temos uma atuação consolidada e de sucesso. Por exemplo, no Perímetro Irrigado do Projeto Jaíba, no Norte de Minas, onde a empresa atende a mais de 1.300 pequenos produtores, os extensionistas rurais orientam sobre técnicas mais eficientes de irrigação.

Quais as dificuldades encontradas para viabilizar os projetos técnicos?

Para fazer mais, naturalmente precisaremos de novas fontes de recursos. Estamos otimistas com a criação da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), que deve fortalecer a atuação da assistência técnica e extensão rural no país. E a Emater-MG, como a maior empresa do setor no país, certamente terá mais condições de obter essas fontes de recursos.