Em meio a um período de retração econômica, as construtoras que atuam em Belo Horizonte vão reduzir os lançamentos de imóveis em 20% neste ano, na comparação com 2014. A previsão é a de que 3.535 apartamentos novos sejam colocados à venda, contra 4.243 no ano passado. A redução, que tem como objetivo diminuir os estoques – que vêm se acumulando desde 2010, quando começou o boom do setor–, dá mais liquidez às empresas e coloca o consumidor em uma posição de comando: é possível negociar valores menores para diversos imóveis da capital mineira.

No ano passado, 850 unidades ficaram prontas, mas não foram comercializadas, somando R$ 411 milhões de Valor Geral de Vendas (VGV). Outros 300 foram concluídos em 2013 e estão na mesma situação, totalizando R$ 124 milhões de VGV. Estes, por exemplo, podem ser comprados por valores abaixo dos praticados no mercado, pois geram gastos para as construtoras, que têm que arcar com os condomínios e gastos em áreas comuns.

As informações foram divulgadas na última terça-feira (17) durante apresentação da pesquisa realizada pela GeoImoveis em parceria com a Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG).

Para comprar os apartamentos, no entanto, é preciso barganhar com o vendedor e se enquadrar nas novas e mais restritivas exigências da Caixa, que começaram a vigorar em janeiro, quando o banco aumentou as taxas de juros e, consequentemente, a renda mínima para financiar a casa própria. Uma boa entrada também é necessária. “A Caixa exige 10%, mas, na prática, não tem aprovado financiamentos com entrada menor do que 20%”, afirma o presidente da CMI/Secovi-MG, Otimar Bicalho.

O estoque total de 2015, segundo o levantamento, é de 4.320 imóveis. O número é 13% menor do que o registrado em 2014, quando somava 4.894. No entanto, quando compara-se 2014 contra 2013, a redução nos estoques foi de 26,6%. O confronto entre 2013 e 2012 é ainda mais expressivo, com queda de 34,3%. A redução nos estoques tem sido cada vez mais lenta. E, com o ritmo de vendas mais lento, o reajuste de preços acabou estagnando.

Embora a tendência fosse de que o setor acompanhasse a inflação, houve um congelamento. A previsão do presidente da CMI/Secovi-MG, no entanto, é a de que a redução no saldo de unidades dê fôlego ao setor. E, assim, os preços voltem a seguir o IPCA nos próximos seis meses.

Dicas

Mesmo com o valor congelado, só deve comprar um apartamento quem tem condições. “A hora é de parar e pensar. Quem encontrar um bom negócio, deve fazê-lo, principalmente quando envolver permuta do imóvel antigo. Do contrário, é necessário cautela”, aconselha Bicalho. Ele ressalta que o imóvel usado valoriza na mesma proporção do novo e, por isso, deve ser utilizado no negócio sempre que possível.

E quem pensa em comprar imóveis na planta para vender no futuro como forma de investimento também deve tentar outra alternativa. Bicalho ressalta que o custo do apartamento na planta é atrelado ao Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que mede a inflação da construção civil. “Em tempos de incerteza econômica, em que ninguém sabe se a inflação pode subir, investir em imóvel na planta pode não ser interessante”, diz.