Mesmo com a sanção pela presidente Dilma Rousseff da nova Lei dos Caminhoneiros que isenta de pedágio o eixo suspenso de caminhões vazios e perdoa as multas por excesso de peso dos últimos dois anos, manifestantes mantinham bloqueios e manifestações em rodovias de quatro Estados nesta segunda-feira (2). No Rio Grande do Sul, homens da tropa de choque da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional de Segurança entraram em confronto com manifestantes no final da tarde, na BR-116, em Camaquã, região sul do Estado. A polícia usou bombas de gás e de efeito moral para dispersar manifestantes. Uma pessoa foi presa.

Outras 18 pessoas foram presas, acusadas de descumprimento da liminar da Justiça que proíbe manifestações em estradas. A PRF confirmou 45 pontos de manifestações em estradas gaúchas, sendo 18 em rodovias federais, das quais 13 com bloqueios de pistas, e 27 em vias estaduais, com dois trechos interditados. Onze prisões ocorreram na BR-392, incluindo funcionários de um posto de combustível que incentivavam os bloqueios. Outras sete pessoas foram detidas na BR-386 - uma delas estava com garrafas PET cheias de gasolina. Em Cerro Largo, noroeste gaúcho, uma carreata conclamou moradores a apoiar os caminhoneiros. Não há gasolina nos postos da cidade.

Com o aumento na ação policial, os protestos de caminhoneiros ficaram reduzidos a cinco pontos de bloqueios, nesta segunda-feira, em rodovias federais de Santa Catarina. Mesmo assim, as cargas eram impedidas de chegar aos portos de Itajaí e Navegantes, pois os caminhoneiros se postaram estrategicamente nas vias de acesso. Levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc) na região oeste do Estado, a mais afetada pelos bloqueios, constatou a perda de 42 milhões de litros de leite em uma semana de protestos. Na pecuária, atrasos na entrega de rações afetaram a criação de 100 milhões de aves e 5,5 milhões de suínos.
mbém se tornaram esparsos os bloqueios no Paraná, onde apenas quatro pontos de interrupção no tráfego persistiam à tarde em rodovias federais. Os problemas decorrentes de 11 dias de protestos persistiam. A Associação Paranaense de Supermercados informou serem necessários 15 dias para que o abastecimento de indústrias e fornecedores seja normalizado. No Porto de Paranaguá, a interrupção na chegada de caminhões causou atraso no carregamento de navios.

Depois de terem suspendido os protestos, caminhoneiros voltaram a bloquear trechos da BR-163 entre Lucas do Rio Verde e Sinop, na região norte de Mato Grosso, principal produtor de soja do país. Os motoristas protestam contra a alta no diesel e querem reajuste no frete. À tarde, três pontos da rodovia estavam parcialmente bloqueados - só passavam automóveis e caminhões com cargas perecíveis. O Estado criou um gabinete de crise para intermediar as negociações entre as partes, inclusive o governo federal.

Manifestações pontuais ocorreram em outros dois Estados. No oeste do Estado de São Paulo, um grupo de caminhoneiros voltou a ocupar a SP-249, interditando o acesso a Tupi Paulista. Também foi interditada a rodovia Raposo Tavares (SP-270), em Palmital, no sudoeste paulista. Houve congestionamento de 11 quilômetros nos dois sentidos. O bloqueio durou das 7h30 às 17 horas, quando a estrada foi liberada. Em Goiás, motoristas de caminhão fecharam a rodovia GO-010 próximo de Silvânia, mas a pista foi liberada no início da tarde. (José Maria Tomazela, Lucas Azevedo, Tomás Petersen, Fátima Lessa, Júlio Cesar Lima, Chico Siqueira e Sandro Villar)