Depois de ser obrigado a pagar pelas sacolinhas compostáveis e, posteriormente, pelas retornáveis, o consumidor belo-horizontino corre o risco de ser novamente prejudicado. Projeto de lei protocolado pelo atual presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Léo Burguês (PSDB), pretende proibir a abertura aos domingos dos supermercados da capital. Se a proposta for aprovada em plenário, apenas os pequenos comércios de bairro, como padarias e sacolões, estarão liberados para abrir as portas.

Arrepios

A proibição causa arrepios no setor supermercadista e nos consumidores, muitos já habituados às compras nos dias de folga. “Somos totalmente favoráveis ao funcionamento aos domingos. Isso só facilita a vida da gente e ainda gera emprego”, defende a presidente do Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, Lúcia Pacífico.

“Esse projeto horroroso é um retrocesso, pois vai na contramão do mundo inteiro, inclusive na contramão de uma lei federal. É lamentável”, critica o presidente da Associação Brasileira dos Consumidores (ABC), Danilo Santana.

Livre comércio

Superintendente da Associação Mineira dos Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues diz que a maioria dos supermercados – pelo menos 90% - já recebe a clientela aos domingos. No Estado, o setor emprega 148 mil trabalhadores. Em Belo Horizonte, são aproximadamente 30 mil funcionários. “O livre comércio tem que permanecer”, argumenta, sem informar, no entanto, de quanto seria o prejuízo em caso de fechamento.

Autor da proposta, o vereador Léo Burguês admite que o projeto é polêmico. Mas garante que a proposta nasceu a partir de um abaixo-assinado endossado por 20 mil pessoas, entre empregados do setor e parentes. A justificativa é que, com a nova lei, as pessoas terão mais tempo para ficar com a família ou se dedicar ao lazer, ao futebol e à religião. Questionado sobre a possibilidade de a proposta ter sido elaborada com a finalidade de atrair votos dos trabalhadores, retrucou. “Não me preocupo com os empresários. Me preocupo com a população.”