A superoferta de soja prevista para o mercado internacional, reflexo das estimativas de safra recorde no Brasil, Argentina e Estados Unidos, que juntos respondem por 85% da produção mundial, derrubou o preço do grão. Entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014, o valor da tonelada caiu de R$ 900 para R$ 720. Com a queda, a produção mineira foi diretamente afetada.
 
A previsão é a de que a produção brasileira do grão nesta safra chegue a 91 milhões de toneladas, crescimento de 5,4% na comparação com o registrado na safra anterior, de 86,3 milhões de toneladas, conforme relatório elaborado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), entidade que reúne as empresas da cadeia da soja. O aumento da área plantada é o motivo do crescimento. 
 
Em Minas Gerais, segundo o presidente da Comissão de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Claudionor Nunes de Morais, a expectativa é a de que sejam produzidos 3,9 milhões de toneladas na safra de 2014/2015. 
 
Neste mês de setembro, pelo menos 40% deste montante já deveria ter sido comercializado. No entanto, devido aos baixos preços, apenas 10% da safra foi vendida.
 
Segundo o gerente de economia da Abiove, Daniel Furlan Amaral, os produtores esperam que um fator externo ao mercado faça com que os preços sejam recuperados, por isso, seguram o produto. Como exemplo de algo que possa elevar os valores, ele cita fatores climáticos, como as secas comuns nos Estados Unidos.