A Vale estuda a implantação, em Minas Gerais, de mais quatro projetos de beneficiamento de minério de baixo teor, conhecidos como Instalações de Tratamento de Minério (ITMs), para substituir ou ampliar ligeiramente sua produção no Estado. Juntos, os projetos somam 95 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, que serão acrescidos à produção atual na medida em que as minas perderem suas capacidades em virtude do empobrecimento do mineral lavrado. As minas que podem receber os investimentos são Fábrica (Ouro Preto); Jangada (Brumadinho); complexo Mariana, no município de mesmo nome, e Pico (Itabirito).

As informações são constam da apresentação do diretor de finanças da Vale, Luciano Siani, para analistas de mercado, realizada na última sexta-feira. Os projetos, embora estejam nos planos da mineradora, ainda estão sujeitos a aprovação do Conselho de Administração da companhia.

Investimento

Atualmente, a Vale possui 4 projetos similares em Minas Gerais, e eles tiveram custo a partir de R$ 1,1 bilhão, cada. São eles: Conceição Itabiritos I e II, Cauê Itabiritos e Vargem Grande Itabiritos, este último integralmente em operação.

A mineradora pretende chegar a 2018 com uma produção no país de 453 milhões de toneladas, ante 321 milhões estimados para este ano.

Contra a tendência mundial de queda dos preços do minério, a aposta é na qualidade dos produtos e na redução dos custos de produção. A mineradora visa ampliar o teor de ferro de seu minério para 64,9% até 2018, sendo hoje de 63,9%. O minério de ferro, que em janeiro estava com a tonelada cotada a US$ 128, fechou ontem a US$ 97,90.

O beneficiamento do minério ocorrerá por meio das ITMs. As futuras expansões do projeto S11D, no Pará, vão assegurar à Vale um custo de produção de US$ 15 por tonelada, valor bem abaixo da média internacional.

O diretor-financeiro do Sindicato Metabase de Congonhas, Ouro Preto e região, Valério dos Santos, disse que o plano foi apresentado aos trabalhadores e, no caso da ITM de Mariana, o objetivo é de recompor a produção. “Nos foi informado ser um plano de longo prazo em que, na medida que a mina perde produção, a produção do ITM recompõe. É uma substituição da produção para manter a mina operante”, afirmou.

A Vale não fixou prazos para os desembolsos e não comentou sobre o valores de investimento. No entanto, segundo a apresentação, a mineradora fará um corte expressivo e gradual em seus planos anuais de investimentos. Para este ano, a previsão é de US$ 13,8 bilhões, e cairá em 2015 para US$ 12,5 bilhões, em 2016 chegará a US$ 9,5 bilhões, em 2017 a US$ 8,1 bilhões e, em 2018, US$ 5,8 bilhões.