O mais recente fenômeno da internet é o surgimento de redes sociais específicas para nichos profissionais. Desenvolvidas para promover a interação profissional, a discussão e a disseminação de informações técnicas, também estão sendo utilizadas para contratações e busca de oportunidades de emprego.


No caso da Medicina, por exemplo, existe a plataforma brasileira Ology, criada no ano passado com o objetivo de possibilitar a troca de informações entre médicos por meio de reuniões online, de auxiliar na gestão da carreira e de disponibilizar vagas de emprego pelo país.


“Os médicos precisam de um ambiente seguro, que garanta a privacidade de suas informações e que separe sua vida pessoal da profissional, conforme orientação do próprio código de ética. Percebemos que os médicos brasileiros utilizam pouco o LinkedIn, então, vimos uma grande oportunidade nesse segmento e achamos que deveria haver uma rede social específica”, afirma a sócia criadora do Ology, Giovana Pieck.


Hoje, a rede, que é gratuita, reúne aproximadamente dois mil profissionais de todas as partes do país e a expectativa é a de que esse número dê um salto nos próximos meses, em função de parcerias que vêm sendo firmadas com hospitais, clínicas e associações médicas.


Relação virtual


Outros mercados que também contam com uma rede social personalizada são o de música, de engenheiros e técnicos da indústria de plástico, administração e educação fundamental. No primeiro caso, além de divulgar o próprio trabalho, conhecer outros profissionais e ouvir seus respectivos sons, os usuários da SouMix têm a possibilidade de editar o material de outras pessoas –a recíproca também é válida.


Na Rede do Plástico, os profissionais das empresas de polímeros conversam entre si via bate-papo, acompanham as novidades e a agenda de eventos do setor, divulgam produtos e acessam cotações de matérias-primas. Já na Sou Administrador, profissionais da área podem criar blogs e discutir assuntos relacionados à atividade.


Para os professores, a empresa de soluções de tecnologia para educação Sapienti lançou, há cerca de dois anos e meio, a rede social Noctua, que contabiliza cinco mil usuários. A maioria deles está concentrada em São Paulo, sede da companhia, mas existem profissionais em Minas Gerais, Bahia e no Sul do Brasil.


“Desenvolvemos essa rede para dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos pela empresa, de maneira que os professores pudessem trocar experiências e dar prosseguimento aos cursos presenciais dos quais participaram conosco. Mas nada impede que outras pessoas interessadas utilizem o Noctua”, diz o diretor da Sapienti, Gonçalo Margall, ressaltando que, nesses casos, o serviço é pago (algo em torno de R$ 3 por mês).


Empresas usam redes sociais para seleção


Um levantamento do grupo americano Society for Human Resource Management mostrou que 77% das empresas pesquisadas alegaram que utilizam, cada vez mais, as redes sociais para recrutamento de profissionais. O resultado reforça a dimensão da ferramenta no mundo corporativo atual e a importância de concentrar, em um único meio, profissionais de determinada área de atuação.


Mas, de acordo com a coordenadora pedagógica da Faculdade IBS/FGV, Elma Bernardes Santiago, os candidatos a uma vaga de emprego não devem se prender somente ao seu perfil na internet na hora de pleitear uma contratação.


“Essas redes, atualmente, são consideradas um ponto primordial na admissão, em qualquer nível profissional. Elas têm se tornado fundamental na escolha do candidato, mas nada substitui a entrevista tête-à-tête”, afirma Elma.


Cuidados


Segundo ela, é preciso estar atento às informações fornecidas aos sites de emprego, a fim de evitar ser desmascarado durante a conversa com o recrutador. Por outro lado, a professora ressalta que, nos dias atuais, não dá mais para ficar de fora dessas redes de relacionamento profissional.


“Hoje, uma das coisas mais difíceis que existem é a pessoa se recolocar no mercado de trabalho. É um processo complicado e até traumático, muitas vezes. Então, para os profissionais essa ferramenta é fundamental, assim como a maneira como ele vai se inserir nesses grupos, porque simplesmente fazer parte não ajuda muito”.