A indicação de um nome para o conselho de administração de uma grande empresa sempre seguiu critérios técnicos e meritórios. O indicado deveria ser um executivo de reconhecida competência, com passagens por diretorias executivas de outras grandes empresas e comprovada visão estratégica.

Atualmente, o currículo ainda pesa, mas outros quesitos de avaliação entraram na pauta. E, com eles, o perfil dos membros dos conselhos de administração vem sendo aos poucos modificado.

A primeira novidade é que os conselheiros estão mais jovens. A função, que era vista como o coroamento de uma carreira bem sucedida, a ser exercida por executivos aposentados, começa a ser pontuada por profissionais na casa dos 50 anos, e até 40 anos. A segunda é que as empresas estão começando a cobrar formação específica para o exercício do cargo de conselheiro, o que criou a figura do conselheiro profissional.

De acordo com a gerente do Programa de Desenvolvimento de Conselheiros da Fundação Dom Cabral (FDC), Adriane Rickli, o próprio mercado tem motivado essa profissionalização. “Ser conselheiro dá muito trabalho, isso é importante ser dito. Demanda do profissional tempo de leitura e de análise, e ele tem que estar preparado”, diz.

Mas, apesar das oportunidades de formação e qualificação profissionais, a gerente do Programa da FDC ressalta que apenas o curso não é suficiente para formar um profissional. “O programa é uma etapa no processo de desenvolvimento. Porém, é preciso que a pessoa tenha mais acompanhamento, como o dos coaches, e uma experiência executiva para vivenciar o outro lado”, afirma Adriane.

Diversificação

Outra tendência observada nas empresas é o acúmulo de funções do conselheiro que, não raramente, atua como executivo em outra companhia. “Recomendamos que as pessoas não sejam conselheiras nas mesmas empresas em que são executivas porque existem conflitos. Uma coisa é tomar decisões que afetam o dia a dia do negócio, outra é monitorar”.

E é justamente o distanciamento que buscam as empresas familiares, que compõem a maior parte das grandes corporações de Minas Gerais. “Elas precisam de um conselho (de administração) para sobreviver. Ele é o responsável por tomar decisões racionais e, dentro do mundo dos negócios, é preciso deixar o emocional de lado mesmo”, afirma a coordenadora de Carreiras do Ibmec Minas, Fernanda Schröder Gonçalves.

Programa voltado para acionistas

O Programa de Desenvolvimento de Conselheiros da Fundação Dom Cabral é voltado para acionistas, conselheiros, (ou candidatos ao cargo) de diferentes organizações que já possuam formação acadêmica em suas respectivas áreas e buscam aprimorar suas competências para exercer o papel de maneira eficaz, com ênfase no Conselho de Administração.