No ano passado, uma das partidas do Superbowl, maior evento esportivo dos Estados Unidos, foi paralisada por 36 minutos devido a uma queda de energia. Enquanto a equipe técnica tentava restabelecer a luz no Mercedes-Benz Superdome, as equipes de imprensa transmitiam normalmente o acontecido por internet, televisão e rádio para quem estava em casa.


Passar as informações para os espectadores só foi possível porque uma estrutura de fornecimento temporária para o evento foi montada no local. Na Copa do Mundo, que será realizada entre 12 de junho e 13 de julho no Brasil, a estratégia será a mesma.


A escocesa Aggreko, que presta serviços ao Superbowl, foi a empresa contratada pela Fifa para fornecer energia temporária para abastecer painéis luminosos e transmissões jornalísticas dos estádios que receberão os jogos da Copa, mediante um contrato de aproximadamente US$ 20 milhões. A companhia apresentou na última quinta-feira (22), em Belo Horizonte, o plano de atuação durante a Copa.


Em todo o país, a empresa vai disponibilizar 50 megawatts (MW) de potência instalada. Destes, 12 MW serão destinados ao International Broadcast Center (IBC), central de transmissão localizada no Rio de Janeiro, enquanto os demais 38 MW serão distribuídos entre os estádios. No gigante da Pampulha, a expectativa é a de que fiquem à disposição 2 MW, divididos em seis geradores de energia abastecidos a diesel.


“Dificilmente a luz no Mineirão vai acabar. Mas, se houver alguma falha, os jornalistas que estiverem lá vão transmitir o acontecimento para todo o mundo a partir dos nossos equipamentos”, afirma o diretor da Aggreko, Pablo Varela.


Dos geradores, saem 10 quilômetros de fios, que chegam a 70 placas espalhadas por todo o estádio. Estas placas funcionam como hubs, distribuindo a energia. Todo o sistema é controlado de maneira remota.


Segundo o diretor da companhia, 100 funcionários da empresa trabalharam na instalação dos equipamentos no estádio. Seis ficarão encarregados do sistema em dias de jogos.


“A intenção é a de que não haja intervenção. Além disso, como o sistema é controlado a distância, a quantidade necessária de pessoas em campo é pequena”, diz.


O restante do estádio terá cobertura da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que investiu R$ 527 milhões – R$ 161 milhões só na capital – para garantir o fornecimento durante o evento. O Mineirão é abastecido por duas linhas de transmissão, que saem das subestações Pampulha e Maracanã. Por serem exclusivas e subterrâneas, o risco de algum problema é muito pequeno.