A deterioração de indicadores econômicos, como baixo crescimento e elevação das taxas de juros, somada à retomada da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com a alíquota integral, derrubaram as vendas no mercado automotivo e forçaram as montadoras a concederem férias aos trabalhadores para ajustar os estoques, que atingiram o equivalente a 48 dias em março, ante 37 dias no mês anterior. Especialistas apontam para o pior ano do setor em uma década.

Na Fiat, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, 800 funcionários iniciaram nessa terça-feira (15) um período de férias de 20 dias.
“Cerca de 800 trabalhadores de um dos turnos da linha 4, que produz os modelos Bravo, Idea, Punto, Doblò e Linea, iniciaram nesta segunda (14) 20 dias de férias individuais programadas. Cerca de 2,4 mil unidades deixarão de ser fabricadas no período”, disse a empresa, em nota.

Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, 450 funcionários da fábrica da Mercedes-Benz entrarão em férias no período de 22 de abril a 11 de maio.
Segundo informações da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas totais do setor automotivo apresentam, no acumulado de janeiro a março deste ano, queda de 2,1% em relação ao primeiro trimestre de 2013.

A projeção para o encerramento do ano é de retração forte, podendo se aproximar dos dois dígitos, na avaliação do presidente do Lean Institute e especialista no setor automotivo, José Roberto Ferro. “Além do imposto mais alto, os juros encarecem o financiamento. Ainda existe uma forte pressão para alta dos preços, oriunda de aumento de custos, como a mão de obra”, afirmou.

Os fatores que ocasionaram a queda nas vendas internamente também influenciam a competitividade do setor no mercado internacional, potencializando a crise das montadoras.