Profissionais multidisciplinares. É esse o perfil procurado pelo mercado de trabalho, atualmente, na opinião de especialistas em seleção e recrutamento de gestores. Além de aumentar as possibilidades de contratação, tornar-se uma espécie de “faz-tudo” revela disposição e capacidade de adaptação.

De acordo com a especialista em Gestão Estratégica de Pessoas da empresa de consultoria SiaS, Jacqueline Rezende, para aqueles que já possuem uma boa esperiência em determinada área e desejam investir na carreira, a melhor opção são cursos de pós-graduação que abram o leque de atuação.

“Quem atua com gestão de pessoas, por exemplo, deve procurar por uma formação base, mas que não seja focada somente nessa linha. Existe uma demanda por profissionais que se envolvam com maior abrangência. Na construção civil, hoje, o profissional não é só da engenharia, mas também de compras, logística”, diz Jacqueline.

Outro aspecto levado em consideração por quem contrata é o perfil comportamental. Candidatos com maior capacidade de resolver problemas, de se relacionar bem e de trabalhar em equipe em prol de resultados positivos são os mais requisitados.

Autogestão

À essa lista, a representante da SiaS ainda acrescenta a capacidade de autogestão, característica do profissional que não depende de cobranças para cumprir horários e metas estabelecidos.

“Existem algumas áreas que clamam por profissionais com conhecimento técnico e com esse tipo de comportamento, como tecnologia da informação, cargos de liderança, engenharias ambiental, telecomunicações e mecatrônica, nanotecnologia e saúde”, afirma Jacqueline, ressaltando que, nesses casos, há muita demanda para pouca oferta.

Recorrência

Essa escassez de profissionais qualificados e adaptáveis se torna um problema ainda mais agudo em regiões que passam por processo de diversificação econômica, como é o caso de Minas Gerais.

Como as atividades de siderurgia e mineração sempre prevaleceram na economia mineira, as empresas dos novos segmentos econômicos enfrentam um verdadeiro desafio na busca por profissionais polivalentes e com capacidade de adaptação às suas especificidades e complexidades.

“No mês passado, durante um evento, vários empresários se queixaram da falta de profissionais capazes de atuar como contadores, gerentes de obras e gestores de produção”, afirma a coordenadora do Instituto Ibmec Minas, Fernanda Schroder. l

Gerenciar a própria carreira é fundamental

Com os profissionais qualificados sendo considerados artigos de luxo, o gerenciamento da carreira adquiriu importância igual ou até superior à conquista de um emprego. De acordo com o consultor organizacional e diretor-presidente da RHUMO Consultoria, Sérgio Campos, pensar na trajetória profissional é uma responsabilidade que não pode ser relegada, mesmo que a pessoa possua um excelente emprego.

“Cabe à própria pessoa cuidar de seus passos, senão, ela estará fora do jogo”, diz Campos.

Uma das ações cabíveis, neste caso, é o investimento nas habilidades profissionais, como o aprendizado de outros idiomas – apenas uma segunda língua já não é considerado diferencial – e o bom conhecimento do português.

Dificuldades

“Admite-se pela área técnica, demite-se pela área comportamental. O mercado exige idiomas, relacionamento interpessoal, técnicas de atendimento e postura profissional. Hoje, os bons candidatos são poucos”, afirma o conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) em Minas Gerais Carlos Alberto Caram.

Segundo ele, uma das empresas ligadas à ABRH está com cerca de 500 vagas em aberto, mas não consegue preenchê-las por falta de opções que atendam aos requisitos do mercado de trabalho.

“Um quadro desses e as pessoas reclamando que estão desempregadas. Acredito que o que falta seja orientação para elas saberem onde se enquadram melhor”.