A fábrica de amônia que está em construção em Uberaba, no Triângulo Mineiro, segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, pode ser responsável por um enorme salto na agricultura mineira. O motivo é a possibilidade de a fábrica reduzir a dependência do Estado da importação de fertilizantes. A questão foi abordada por Simões em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, que será publicada nesta segunda-feira (13), na sessão Página 2.
 
A fábrica de amônia foi anunciada em 2011. O investimento somará US$ 1,3 bilhão, o equivalente a R$ 2,23 bilhões. Para que ela se consolide, no entanto, é necessário que o gasoduto que irá abastecê-la com 1,2 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia (o gás é a matéria-prima principal do fertilizante), mediante investimento de US$ 900 milhões, saia do papel. 
 
Depois de atravessar uma longa discussão sobre como levar o gás de São Carlos, em São Paulo, a Uberaba, no Triângulo Mineiro, sem sucesso, o governo mineiro decidiu-se pela construção de um gasoduto desde Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), aproveitando o gás que chega do Rio de Janeiro. 
 
Licitação
 
Hoje, o projeto está em fase de licitação. A elaboração do edital está no processo final. “A construção da fábrica é fundamental para o setor agrícola brasileiro”, afirma o presidente da Faemg. 
 
Simões comentou, ainda, sobre a valorização da moeda norte-americana. Segundo ele, o dólar na casa de R$ 2,30 beneficia o setor agropecuário do Estado.
 
Como a balança comercial da agropecuária mineira é baseada nas exportações, o câmbio desvalorizado é vantajoso. “Produzimos muito e importamos relativamente pouco para essa produção”, afirma Simões. Novamente, ele cita a importância da fábrica de amônia: “a importação fica limitada a fertilizantes e defensivos”. 
 
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a invasão da lagarta helicoverpa, principalmente nas lavouras de milho, soja e algodão do Estado. Segundo o presidente da Faemg, a falta de solução do problema de maneira rápida pode transformá-lo em algo incontrolável. “Institutos como IMA, Embrapa e o governo devem encarar o problema e entrar com as medidas necessárias, inclusive autorizando a entrada de produtos químicos que não são permitidos usualmente no Brasil”, afirma.