FERNANDES TOURINHO – Embora seja nativo da Amazônia, o cupuaçu surge como alternativa econômica no Vale do Rio Doce. A experiência bem sucedida foi conduzida por Elyzio José Ferreira, 74 anos, único produtor em Minas Gerais com lavoura comercial do fruto. São cerca de cinco mil pés distribuídos em área de seis hectares e produção de cerca de dez mil quilos por ano.

“Daqui a quatro anos dá para pensar em exportação”, comemora.

Há 20 anos, o produtor surpreendeu ao introduzir o plantio de seringueiras na propriedade. Como a cultura exige espaçamento de três metros entre as árvores e corredores com sete metros de largura, o produtor decidiu aproveitar o espaço com um cultivo consorciado e lucrativo.

A alternativa foi encontrada após visita a uma fazenda de cupuaçu no Espírito Santo. O plantio foi iniciado há oito anos, mas a produção só começou em 2010. Atualmente, a metade dos pés está produzindo o equivalente a dez mil quilos de polpa por ano, comercializada com a marca “Cupuaçu Brasil”.

A polpa é integral e sem adição de conservantes ou produtos químicos. Ela é comercializada em potes de meio quilo ao preço de R$ 6,00 para três redes de supermercados de Governador Valadares, além de sorveterias e lanchonetes.

Na revenda, chega a custar R$ 10,00. O produtor acredita que, em quatro anos, a fazenda produzirá o suficiente para que possa competir no mercado nacional e até mesmo internacional.

“O cupuaçu é uma ótima alternativa econômica, especialmente para quem quer aproveitar espaços”, garante Elyzio José Ferreira, que aprendeu desde cedo a driblar as dificuldades impostas pelo clima quente e solos degradados do Vale do Rio Doce. A degradação é atribuída às queimadas e super pastoreio do gado que por anos foi a principal atividade econômica da região, mas que vem perdendo espaço para a monocultura de eucalipto.

“O cupuaçu também produzirá bem se plantado entre cafezais, bananeiras e nas matas ciliares”, ensina.