Cansado de ficar em casa devido à pandemia da Covid-19, o brasileiro deve se vingar do novo Coronavírus viajando muito pelos próximos meses. Pesquisa da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) aponta um crescimento de 60%, nos últimos dois meses, na procura por viagens para dezembro, sobretudo no Réveillon. Em relação a 2020, não há dados, pois aquele é considerado um ano perdido. Em 2021, o setor está próximo do nível pré-pandemia.

De acordo com o levantamento, o pacote mais demandado é o de férias com a família (32,1%), seguido por viagens individuais por múltiplas cidades (16,7%), viagens em grupo (14,1%) e viagens para casais (9%).

“Estamos vivendo o momento apelidado de ‘revenge travel’, um movimento de vingança à pandemia que consiste em viajar como nunca, surgido nos EUA. Temos uma população bem vacinada, o que, somado aos imprescindíveis protocolos contra a disseminação do novo coronavírus, deixou a população mais segura para viajar”, diz a presidente da Abav, Magda Nassar. 

No Brasil, segundo a associação, o destino mais procurado para o Réveillon é o Rio de Janeiro (RJ), seguidos por São Paulo (SP), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Recife (PE). Já em relação às viagens internacionais, a virada para 2022 em Nova York (EUA) lidera como a preferida dos brasileiros. Orlando (EUA), Paris (França), Cancún (México) e Buenos Aires (Argentina) também aparecem no ranking.

Para Peter Mangabeira, presidente da Abav de Minas Gerais, a retomada do setor de turismo tem superado expectativas. “Há hotéis com vagas para reserva só para março de 2022. Com as viagens para alguns países ainda restritas, as pessoas estão viajando mais pelo Brasil. Em BH e interior de Minas restam vagas, mas existem locais esgotados, como Porto de Galinhas (PE)”.

Com a alta demanda, a escalada nos preços é dada como certa. “Existe uma parcela de pessoas que cancelaram as viagens devido à pandemia e alteraram as datas. Isso fez com que hotéis com cem quartos, por exemplo, já tenham 30 reservados com preço pré-pandemia. Agora, eles subiram as tarifas, porque o dinheiro arrecadado com vendas no passado já foi todo gasto para cobrir custos durante a crise”, acrescenta Mangabeira. 

Para a economista e professora da Faculdade Promove Mafalda Valente, existe uma grande demanda reprimida por viagens, o que vai pesar no bolso do viajante. 

“Os preços vão subir por causa da inflação. É impossível não repassar a alta na energia, combustíveis, mão de obra e matéria-prima. Existe um processo inflacionário pressionando as passagens, somado à alta procura, e uma parcela da população que poupou dinheiro de viagens que não foram feitas em 2020 e vai viajar em 2021 mesmo com os altos valores”, diz.

A empresária Márcia Machado vai de carro para o Espírito Santo com o marido, filhos e enteados no fim de ano. “Nossa viagem vai ficar 40% mais cara. Hospedagem subiu, alimentação também, só com combustível vamos pagar R$400 a mais em relação a outros anos”.

Mesmo assim, Márcia não abre mão de pegar a estrada. “É muito importante para mim. Trabalho muito no fim de ano, até 24 de dezembro estarei ocupada. É uma rotina muito exaustiva, por isso é muito importante viajar e rever familiares”.

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