O empresário Paulo Afonso de Paiva Arantes, sócio da empresa Colitur, proprietária do ônibus que tombou domingo (6), no município de Paraty, e deixou 15 mortos e 62 feridos, pediu desculpas nesta quarta (9) à população pelo acidente: “Quero pedir desculpas à sociedade”, disse, acrescentando que atravessa um momento difícil e de estado emocional abalado.
 
Paulo Afonso revelou que ainda não conseguiu os endereços das vítimas fatais para fazer contato com as famílias. “Estou pronto a corrigir o que tiver de errado”. O empresário garantiu que o veículo não estava com o número de passageiros acima da capacidade para aquele tipo de coletivo.
 
Paulo Afonso reconheceu que o ônibus tem licença do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio (Detro) para fazer a linha intermunicipal Paraty-Angra dos Reis, mas estava sendo usado no trajeto Paraty-Trindade [ligação local] por causa da demanda do feriado. “Exatamente para não ter a dificuldade de excesso de passageiros, nós tivemos de utilizar este carro e não há nenhum impedimento, pelo menos não é do meu conhecimento que eu não pudesse utilizar, principalmente, em um feriado”, explicou.
 
Paulo Afonso disse ainda que o ônibus acidentado passou por vistoria do Detro há 60 dias e tinha condição de rodar. No entanto, reconheceu que a perícia vai dizer o que realmente ocorreu: “Não vamos nos eximir de nada. Vamos estar de frente com as nossas obrigações. Nós temos que levar o passageiro são e salvo. Temos essa consciência. Agora, infelizmente aconteceu. A gente procura não errar”.
 
Para o empresário, a perícia vai confirmar que os pneus não estavam carecas e que o freio funcionava bem, apesar de alguns depoimentos de passageiros denunciarem que o motorista disse estar sem freios, pouco antes do acidente “Está em perfeito estado. A informação que eu tenho é que está”, informou o empresário.“Todos os itens são verificados. Sei que a empresa cumpre com as suas obrigações”, completou.
 
O sócio da Colitur disse que o contrato de concessão assinado com a Prefeitura de Paraty é de 30 anos, com renovação automática de seis em seis anos. Mas em junho de 2014 não houve a assinatura formal de renovação. Ainda assim, ele considera que o estava coberto pelo contrato.
 
“O município não renovou e não posso aqui afirmar o porquê. Não tivemos nenhuma notificação neste período e estamos cumprindo regularmente o serviço”, contou. Ele destacou que as linhas continuaram operando para não haver descontinuidade no transporte local “Temos, lá em Paraty, dentro da cidade, 200 funcionários trabalhando. Nós respondemos por isso. Não posso fechar e ir embora. É complexo”.
 
O secretário de obras e transportes de Paraty, Ronaldo Carpinelli, disse que o prazo de concessão de 30 anos não se encerrou. Ele reconheceu que esta é uma discussão jurídica entre a prefeitura e a empresa, que segundo ele, terão que se entender, mas revelou que há dois meses e meio o governo municipal iniciou um novo processo licitatório dentro de um plano de transportes da cidade.
 
O secretário admitiu que a placa do ônibus envolvido no acidente não constava da lista mensal oferecida pela empresa nas linhas municipais. “A placa deste ônibus não constava desta lista porque ele era um veículo que fazia a rota Paraty-Angra dos Reis, naquele dia e foi inserido por causa da demanda”, disse. “Na verdade não fomos nem informados sobre a inclusão do ônibus na rota extra”, completou, para explicar a falta de fiscalização.