O Ministério das Cidades decidiu nesta segunda-feira (5) suspender por 90 dias a obrigatoriedade do extintor do tipo "ABC" nos automóveis em circulação no país.
 
O prazo de 90 dias começará a contar a partir de resolução a ser publicada no "Diário Oficial" da União nesta terça (6) ou quarta (7).
 
A norma havia entrado em vigor no dia 1º e atingia principalmente carros fabricados de 2009 para trás, que tinham o modelo anterior, "BC". Aqueles feitos a partir de  2010 já têm o extintor exigido, que controla fogo em estofados, tapetes e painéis.
 
A suspensão foi motivada pela dificuldade de motoristas de todo país em encontrar o extintor "ABC". Em caso de fiscalização, a ausência do novo modelo de extintor sujeitava o motorista a multa de R$ 127,69, mais cinco pontos na carteira de habilitação.
 
Agora, enquanto vigorar a suspensão, não haverá aplicação de multas.
 
"Desde quarta-feira da semana passada acabou tudo, nem o distribuidor tem para nos fornecer. A procura está enorme", diz Felipe Arinella, dono do posto Lavapés, na Liberdade, região central.
 
Outros seis postos nas zonas sul, leste e oeste também relataram a falta do extintor.
 
Especializada em materiais contra incêndio, a Hidrofire, do Rio de Janeiro, disse que só receberá o produto em um período entre 40 e 60 dias.
 
Em São José dos Campos (SP), houve fila em uma loja de venda de extintores, e o produto se esgotou.
 
A suspensão da obrigatoriedade foi determinação de Gilberto Kassab (PSD), ex-prefeito de São Paulo, que ontem assumiu o Ministério das Cidades.
 
OBRIGAÇÃO
 
O Brasil é um dos poucos países onde os extintores de incêndio veiculares são itens obrigatórios de segurança.
 
Com a evolução dos sistemas de injeção eletrônica nos carros e a maior eficiência das linhas de combustível dos automóveis, levar os cilindros vermelhos a bordo caiu em desuso mundo afora.
 
Países como Alemanha, França e Itália não exigem esse equipamento há anos. É o motorista que decide se irá portá-lo ou não.
 
Hoje, montadoras precisam desenvolver suportes específicos para seus carros importados que serão vendidos no Brasil, pois os projetos originais não preveem espaço para colocar o extintor.
 
Por vezes, esse dispositivo é colocado em uma posição que dificulta sua retirada em caso de emergência.
 
Há ainda a questão da falta de treinamento dos condutores para o uso do extintor. Em caso de incêndio, o motorista comum pode não saber avaliar se há risco de explosão, por exemplo.