RIO DE JANEIRO - Um novo modelo de navegação será usado a partir da próxima segunda-feira (2) no aeroporto Santos Dumont, centro do Rio de Janeiro. Segundo o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, o objetivo da tecnologia é facilitar os pousos em meio a nevoeiros e chuva forte.

"Com esse sistema, as companhias aéreas diminuem o consumo e os custos com combustíveis, além de reduzir a emissão de poluentes. Com isso, não há estímulo de aumento dos preços das passagens", disse Franco, no aeroporto Santos Dumont, na tarde de hoje.

O ministro lembrou ainda que a novidade pode trazer redução dos preços das passagens, mas não divulgou prazos. O novo sistema funciona como um GPS -sistema de posicionamento via satélite- no painel da aeronave. O piloto passa a ter uma visibilidade mais baixa e próxima da pista, o que facilita o pouso em dias chuvosos.

O secretário nacional de Navegação Aérea, Juliano Noman, explica que essa é uma nova tecnologia disponível no mercado mundial e que já é usado em países da Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, no entanto, apenas a Gol aderiu ao novo sistema e passa a utilizá-lo a partir da próxima segunda no Santos Dumont.

De acordo com o governo federal, as outras empresas aéreas também buscam a tecnologia, mas ainda finalizam o processo de certificação na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Com a visibilidade mais baixa, o piloto decide com mais segurança se fará a aterrissagem a 91 metros de altura e 1,6 km de distância da cabeceira da pista. Antes eram necessários 225 metros de altura e 3,4 km do aeródromo.

A tecnologia utiliza o conceito da navegação de desempenho imprescindível (conhecida pela sigla RNP, em inglês). Ao longo de 2012, o Santos Dumont ficou impossibilitado de receber pousos por 46 horas. A estimativa é que com a nova ferramenta seriam apenas quatro.

Dados levantados por técnicos da SAC (Secretaria de Aviação Civil) mostram que o tempo gasto entre Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio) passará de 44 para 36 minutos. Aviões provenientes de Guarulhos, Viracopos e Brasília terão 7, 8 e 3 minutos a menos para chegar à cidade.

O ministro informou ainda que a partir da segunda quinzena de dezembro, o aeroporto internacional do Rio Tom Jobim (Galeão), Guarulhos, Congonhas e Campinas, em São Paulo, também utilizarão a tecnologia.

"Com esse novo sistema o piloto tem muito mais certeza da exata localização dele e da aeronave do que antes. É uma forma nova de navegação com altíssima precisão e é isso que permite que você faça o desenho de uma rota ganhando tempo e operacionalidade", diz Noman.