Cupês de luxo sempre tiveram mercado cativo na indústria do automóvel. A Bentley sempre teve uma tradição com grandes cupês como o clássico R-Type de 1950 e o S1 Continental. No entanto, a marca passou um bom período concentrada em modelos de carroceria sedã, até que em 1991 lançou o Continental R, que derivava do Brooklands.


Naquela época, a Bentley vivia momentos difíceis, sob o comando da Vickers, que tinha assumido a Rolls-Royce que, por sua vez, dirigia a Bentley desde 1931. E o que os novos dirigentes queriam era diversificar o portfólio, deixando a Rolls no degrau mais alto.

 

Ele era mais refinado que um Jag e, ao mesmo tempo, muito mais esportivo que Rolls-Royce Corniche

Nem por isso, os Bentley perderiam seu lastro, mas seriam menos conservadores. Grande, o cupê tinha 5,31 m de comprimento, com 3,06 m de entre-eixos. Medidas que garantiam conforto absoluto para quem viajasse ao volante, ou se acomodasse no banco de trás.


Naquela época, o mercado de cupês de luxo era dominado por modelos como Jaguar XJS, Mercedes-Benz 500 SEC, assim como o recém lançado BMW Série 8. O argumento do Continental para atrair a clientela milionária na Europa e Estados Unidos era seu acabamento impecável.


Ele era mais refinado que um Jag e, ao mesmo tempo, muito mais esportivo que Rolls-Royce Corniche. Sob o capô, o Continental R era equipado com V8 6.7 Rolls, alimentado por uma turbina Garret, que garantiam 330 cv e 61 mkgf de torque e transmissão automática de quatro marchas, fornecida pela General Motors. Força suficiente para deslocar suas 2,4 toneladas.


Por outro lado, a Bentley sabia que precisava de mais vigor. Em 1995, a marca lançou o Continental T, que tinha chassi encurtado e seu V8 ajustado para 420 cv. Era definitivamente o Bentley capaz de entregar refinamento e desempenho. 


Mas, por ser mais curto, o T não oferecia o mesmo conforto no banco traseiro que o Continental R. E, geralmente, quem compra um Bentley, prefere viajar no banco traseiro, se é que o amigo me compreende.


O ponto alto do cupê foi apresentado em 1999, na versão R Mulliner. Ele utilizava o chassi original com o motor de 420 cv. Apesar de extremamente pesado, ele conseguia acelerar a até 275 km/h. Era o estado da arte da marca inglesa.


O Continental R Mulliner, porém, teve vida curta. O cupê saiu de linha em 2001, já sob comando do Grupo VW, o Continental saiu de linha para a chegada do Continental GT, com mecânica alemã.


Mas o Continental R era tão marcante que em 2008 a Bentley apresentou o Brooklands Coupé, derivado do Arnage. O carro era um sucesso espiritual do antigo cupê, inclusive era equipado com motor 6.7 Rolls-Royce. O modelo teve 550 unidades produzidas até 2011. Sem dúvida, um dos carros mais legais já construídos.