Arrumar o cabelo, escolher a roupa que vai usar no dia, andar de bicicleta e não deixar de pensar no futuro. Essa é uma pequena parte da rotina de Giovanna da Cruz Santos, de 13 anos, que mora em Curvelo, na região Central de Minas Gerais. Aos dois anos de idade, a menina foi diagnosticada com retinoblastoma, um câncer raro nos olhos, o mesmo que a pequena Lua, filha do jornalista e apresentador Tiago Leifert e de Daiana Garbin, também foi diagnosticada em outubro do ano passado. 

A mãe de Giovanna, Walquíria Alves Cruz, de 44 anos, conta que a doença começou como uma conjuntivite e que "uma água morna" saia dos dois olhos da filha. “Na época nós a levamos a um médico aqui da cidade e ele encaminhou a gente para o Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte. Já nessa primeira consulta, ele disse que parecia que ela já estava perdendo a visão”, relembra Walquíria.

Na capital, a jovem passou por diversos exames que confirmaram o diagnóstico prévio do médico. Sem muita demora, ela começou a fazer o tratamento por quimioterapia no olho esquerdo, em que o tumor estava mais avançado. Porém, mesmo com a urgência do início dos remédios, o globo ocular teve que ser retirado. “Nós tentamos fazer a quimioterapia mas tivemos que acabar tirando o olho esquerdo. Depois de uns quatro meses, ela teve que passar por outra cirurgia para remover o direito, já que a retina já estava saindo da cavidade”, explica a mãe de Giovanna. 

Quando passou pelas cirurgias, Giovanna tinha dois anos. A mãe dela conta que, mesmo com todo esse desafio, a jovem sempre foi muito calma, comunicativa e alegre. “Ela não deu muito trabalho, no início ela perdia o sentido do dia e da noite, mas os médicos orientaram que nós déssemos um calmante para que ela ficasse mais tranquila”. 

Giovanna da Cruz SantosGiovanna aprendeu a andar de bicicleta ainda muito nova

“Normal”

Ao Hoje em Dia, Giovanna contou que, desde o início, teve que aprender a viver sem a visão. A menina, faz questão de enfatizar que tem uma vida normal, com muitos amigos e diz quer ser juíza quando se formar na faculdade de Direito. “Eu tenho vontade de sair de casa, fazer faculdade, claro que quando eu ficar mais velha. Mas tenho vontade, sim. Nunca tive nenhum problema, minha vida sempre foi normal”. 

Quanto à bicicleta, a garota conta que aprendeu como todo mundo. Começou quando era muito nova e um dia pediu ao pai que tirasse as rodinhas, porque já estava pronta para esse passo. 

Walquíria diz que, no início da doença, a filha sentia medo de ficar sozinha. Mas que, com o tempo e com o acompanhamento de psicólogos, ela foi se adaptando e fazendo de tudo para não depender de outras pessoas. 

Escola

Na escola, Giovanna teve que aprender a ler e a escrever em braille. Como em Curvelo não existe uma escola específica para pessoas com deficiência visual, a mãe dela teve que aprender para poder ensinar a menina. “Eu fiz uns sete cursos de braile e a ensinei a ler e a escrever. Quando ela tinha dúvida no para casa eu sempre estava lá para ajudá-la. Hoje, quando eu tenho uma dúvida, é ela quem me ajuda”, diz Walquíria. 

Desde quando a doença foi descoberta, todos os exames e tratamentos feitos pela garota foram custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para a mãe, esse foi um diferencial para que a vida da jovem fosse como é hoje. “Nós nunca tivemos que pagar nada e sempre tivemos muito apoio de todas as pessoas. Apenas as próteses oculares que ela usa hoje que têm que ser feitas de maneira particular, mas todas as consultas e exames foram pelo SUS”, explica Walquíria. 

“Fiquem firmes”

Desde que o apresentador Tiago Leifert divulgou que sua filha, Lua, de pouco mais de um ano, foi diagnosticada com retinoblastoma, Walquíria tem acompanhado a história. À família, ela pede para que tenham força, “que tudo vai dar certo”. 

“Eu queria dizer para a família da Lua, para eles ficarem bem tranquilos, que tudo que a gente tem que passar, ninguém passa pela gente. Eu mesma passei por muitos momentos difíceis, mas Deus sempre nos dá a vitória. Fiquem firmes, fortes e em oração que tudo vai dar certo para vocês, como deu para mim. Eu só tenho a agradecer a Deus, pela minha filha estar comigo hoje”.

O retinoblastoma

O retinoblastoma é um tumor intraocular maligno primário, mais comum em crianças, originário das células da retina. Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP), pode ocorrer em um olho, sendo unilateral, ou em ambos, bilateral, e geralmente ocorre em crianças com menos de 5 anos.

A doença pode causar uma alteração do reflexo vermelho dos olhos observado em fotografias. Crianças com a enfermidade apresentam uma mancha branca. Em outros casos, há a possibilidade do estrabismo. 

O câncer é confirmado após um exame oftalmológico, que pode ser realizado em consultório, é feito com a pupila dilatada. Eventualmente é confirmado com exame sob sedação no centro cirúrgico. 

O tratamento envolve quimioterapia e depende da intervenção precoce, sendo adaptado a cada caso. As taxas de cura são superiores a 95% quando feito de forma adequada. 

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