Muitas criações revolucionárias surgem do acaso ou por algum tipo de restrição. Reza a lenda que o monge Pierre Pérignon inventou o champagne por acidente, durante o processo de fermentação do vinho de seu monastério. Já o Porsche 911 Targa nasceu a partir de uma bronca das autoridades de segurança viária norte-americanas.

Agora, a Porsche acaba de lançar a edição comemorativa dos 50 anos do Targa. A série terá apenas 750 unidades numeradas. O comprador ainda leva de brinde um relógio confeccionado exclusivamente para a edição.

O 911 Edition 50Y Porsche Design, tem como base a versão Targa 4 GTS, equipada com motor boxer turbo 3.0 de 480 cv e 58,2 kgfm de torque, combinada com transmissão de dupla embreagem PDK de oito marchas ou manual de sete velocidades, além de tração integral.

Origem do Targa

No início dos anos 1970, a Porsche queria lançar a versão conversível do 911, nos Estados Unidos. No entanto, os órgãos reguladores do Tio Sam não aprovaram a versão aberta do esportivo. Eles consideraram que faltava segurança aos ocupantes em caso de capotamento. Assim a Porsche adotou uma solução utilizada pela Carrozzeria Viganale, em 1952, para o raríssimo Fiat 1200 “Wonderful”. 

Consistia na aplicação de um arco transversal, que garantia a proteção exigida pelos norte-americanos e adicionaram um para-brisa traseiro curvo, que cobria a parte posterior ao arco e deixava o teto aberto. Assim nascia, em 1972 o Porsche 911 Targa.

O carro se tornou um sucesso e desde então é oferecido em todas as gerações do 911. Na geração 993, (1993-1997), o Targa perdeu o arco transversal e recebeu dois arcos longitudinais, além de um teto de vidro que deslizava sob o para-brisa traseiro. 

Esse conceito foi mantido nas gerações 996 e 997. Era legal, mas sem o mesmo charme. O uso do arco em aço escovado retornou na geração 991, em 2015.

O sobrenome segue a tradição da marca alemã de usar temas que remetem ao automobilismo. A expressão vem da corrida italiana de Targa Florio, criada em 1906 pelo milionário Vicenzo Florio. Ela foi disputada por 70 anos num percurso de cerca de 11 voltas de 72 km no entorno da ilha da Sicília. 

Depois da Porsche, diversos fabricantes começaram a desenvolver versões targa de seus esportivos. Chevrolet Camaro, Pontiack Firebird, Nissan 270Z, Ferrari 308 GTS, Toyota MR2, Honda CR-X e uma série de outros modelos utilizaram esse conceito de carroceria com teto destacável sobre o banco do motorista e passageiro. 

Outros conversíveis totalmente abertos também passaram a usar o arco transversal como Escort XR3 e Volkswagen Golf.