Minas Gerais foi o estado com maior número de licenciamentos de veículos em 2021. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). De acordo com a entidade, MG emplacou 456.607 unidades, contra 453.637 de São Paulo, que historicamente é a unidade federativa com melhor desempenho de vendas.

São menos de 3 mil unidades de diferença, mas no comparativo com a performance dos dois estados em 2020, a elevação em Minas foi de 13%, contra uma queda de 8% dos paulistas. Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, a explicação se resume a quatro letras: ICMS. 

O estado paulista elevou o percentual da alíquota de 12% para 14,5%, em 2021, que teve reflexo direto nas vendas. “Minas não fez mágica, foi São Paulo que aumentou a carga tributária e fechou o ano em queda. Nós alertamos que o aumento do tributo provocaria esse efeito”, afirma Moraes.

Ainda de acordo com a Anfavea, todos os estados limítrofes a São Paulo anotaram crescimento de licenciamentos. O Rio de Janeiro anotou elevação de 23%, com 115 mil unidades emplacadas. Ou seja, o consumidor atravessou a divisa para comprar carro.

“São Paulo paga 14,5% de ICMS, mais o IPI que pode chegar a 25% dependendo da motorização e tipo de combustível. Se o consumidor financia ainda incide o IOF, mesmo tributo que também é cobrado na apólice de seguro. É uma carga muito elevada para o consumidor”, analisa.

Reforma

A Anfavea ainda sugere que pode haver avanços na Reforma Tributária. Segundo Moraes, a associação tem atuado junto com Congresso para que se tenha uma avanço. “Não podemos aceitar que pautas estruturais não sejam tratadas durante ano eleitoral. Temos parlamentares que estão engajados em levar a reforma para votação ainda este ano”, garante.

Moraes defende que o Brasil deva operar com uma carga tributária seguindo o padrão europeu e norte-americano, que utiliza o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). “Nesses mercados é cobrado apenas o IVA, que gira em torno de 20%. Aqui, dependendo do carro, o consumidor paga mais de 50% de impostos. E a aprovação da reforma não beneficia apenas o setor automotivo, mas também a indústria de celulares, eletrodomésticos e demais nichos”, explica.

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