Até há pouco tempo, janeiro era o mês do Salão do Automóvel de Detroit. A terra dos motores abria o calendário de novidades da indústria em temperaturas abaixo de zero. No entanto, no mesmo mês já acontecia desde os anos 1960 o Consumer Electronics Show (CES), na libidinosa Las Vegas. Era cada macaco no seu galho. Detroit com seus V8 e a CES com suas bugigangas. 

Acontece que nos últimos anos a indústria perdeu o interesse por salões, o público minguou, enquanto a feira de tranqueiras bombava ao lado das roletas. E com a eletrificação dos automóveis, adoção de tecnologias de condução autônoma e um monte de outras funções que transformou o carro num iPhone sobre rodas, as fabricantes deram uma banana para Detroit e migraram para Las Vegas. 

Assim, marcas como BMW, Chrysler, General Motors, Mercedes-Benz e até mesmo a Sony levaram carros do futuro para disputar a atenção com televisores, celulares e outras tranqueiras. A BMW levou o iX Flow, uma derivação de seu SUV elétrico, que tem como principal novidade a tecnologia de mudança de pigmentação E-Ink, num conceito semelhante ao do livro digital Kindle. Basta dar um comando para que aconteça a troca de cor, impulsionada por uma pequena corrente elétrica. 

A ideia é no futuro dar liberdade de escolha para o proprietário escolher seu estilo. Em termos industriais, significaria a simplificação no processo de produção, pois não seria necessário parar a linha de pintura para troca da cor da tinta.

Airflow

A Chrysler, que tem sede em Detroit, levou para a feira o conceito Airflow. Ele é um SUV elétrico, que pega carona na ideia do Mustang Mach-E, mas o espírito esportivo do Muscle Car americano. Com desenho elegante, o Airflow utiliza um motor para cada eixo.

A dupla entrega 200 cv e tem autonomia de até 645 km. Ele pode ser a tábua da salvação da marca, do grupo Stellantis, que hoje rasteja com a minivan Pacifica e o veterano 300C.

Já a General Motors, que também compõe o trio dos pistões de Michigan, foi para o deserto apresentar a Silverado EV (que o leitor conferiu aqui) e também o Chevrolet Equinox EV. Diferentemente do SUV vendido no Brasil, esse elétrico utiliza a mesma plataforma Ultium da picape. 

Com desenho futurista, a GM quer fazer dele o elétrico de volume, com preço inferior a US$ 30 mil. Para se ter uma ideia, essa é a faixa mais quente do mercado norte-americano em que se posicionam sedãs, SUVs e picapes de porte medio, com motores a combustão.

A Mercedes-Benz, por sua vez, revelou o EQXX, sedã de traseira alongada que é uma evolução do conceito IAA, de 2015. O destaque desse elétrico é a autonomia de 1.000 km. 

Já a Sony levou a segunda versão de seu PlayStation sobre rodas para a CES. O Vision-S 02 é um SUV com motores de 268 cv, que assim como o sedã, não tem data para sair do papel.