Pais obrigados a comprar materiais escolares para os filhos devem se apressar. Os produtos, que já registram alta de preço, vão pesar ainda mais no bolso das famílias a partir da segunda quinzena deste mês. Lápis, caderno e mochila devem ser os grandes vilões, acompanhando a inflação e a alta do dólar. O aumento pode chegar a 30%. 

A expectativa de materiais mais caros daqui a 15 dias é da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE). A retomada do ensino presencial na maioria das escolas no segundo semestre de 2021 movimentou o setor, mas sem atingir os patamares pré-pandemia. A guinada deve ocorrer agora.

“Não espere muito para o fim (de janeiro)”, dá a dica Sidnei Bergamashi, presidente da Tilibra e diretor da ABFIAE. Segundo ele, as indústrias e os importadores estão sofrendo reajustes elevados nos custos. 

“São aumentos frequentes nas diversas matérias-primas como, por exemplo, papel, papelão, plástico, químicos, embalagem. Para os produtos importados, os principais impactos são a variação do dólar no Brasil, os aumentos de custos na Ásia e a elevação dos preços de fretes internacionais, decorrente da falta de containers”, afirmou.

Conforme Bergamashi, nenhum produto escapará da alta de preços. Ele, no entanto, destaca os que devem ficar mais caros. “Não espero encontrar nenhum com menos de 20% de aumento. Se você pensar em lápis, caneta, caderno e mochila, que são os principais, todos estão na faixa de 20% a 25%”.

Coordenadora de uma papelaria no bairro Prado, região Oeste de BH, Joana Darc da Silva, de 42 anos, confirma o aumento dos preços. A expectativa é que as vendas também cresçam neste mês. “Não vai ter jeito, mas o consumidor vai chegar ciente disso”, afirma.

Diante dos valores altos, a estratégia de muitos comerciantes é oferecer melhores condições de pagamento. Na papelaria, há 5% de desconto em compras à vista ou a opção de dividir no cartão em até 10 vezes, com parcela mínima de R$ 50.

Alternativas

Com os preços nas alturas, o jeito é buscar alternativas para economizar. “É importante pesquisar bastante, seja em lojas de rua, shopping centers e lojas on-line. Os preços costumam oscilar muito e dado o volume de itens a serem comprados, a economia pode ser boa”, explica o economista Sérgio Tavares.

Para quem se organizou, pagar à vista, em dinheiro, pode render um bom desconto. “O cliente deve perguntar antes se o preço à vista é o mesmo do parcelado”, acrescenta o economista, diretor da STavares Consultoria Financeira.

Outra forma de economizar é conversar com outros pais, seja através de grupos e fazer compras conjuntas em livrarias, editoras e no atacado. Isso aumenta a probabilidade de conseguir preços menores.

* Com informações de Luiz Augusto Barros e Agência Brasil

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