A Fiat é líder de vendas em 2021. A marca italiana retomou o alto do ranking de vendas em um dos períodos mais conturbados e desafiadores para a indústria do automóvel. Os efeitos da pandemia do Covid-19 geraram um efeito dominó que tem castigado diversos setores da economia, entre eles o automobilístico.

Fornecedores foram impactados mundo afora, o que gerou uma crise de insumos que paralisou linhas de montagem em todo o globo. A chamada “crise dos condutores” foi apenas um dos setores da cadeia produtiva prejudicados pela pandemia.

Mesmo assim, a Fiat saiu de 16,5% de participação em 2020 para 22,2%, no acumulado entre janeiro e dezembro de 2021. E não se trata de um ganho percentual devido ao baixo desempenho dos rivais. A italiana produziu e vendeu mais em 2021.

Para se ter ideia, em 2020 a marca líder de vendas emplacou 338,5 mil unidades, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Este ano a Fiat já acumula 395,5 mil licenciamentos, sem considerar o desempenho de dezembro. Ou seja, ganhou participação pela capacidade de produção.

Por falar em produção, a Fiat foi uma das marcas menos impactadas pela crise dos semicondutores. A Stellantis, grupo que abarca Fiat e outras 14 marcas, conseguiu manter o abastecimento de componentes para as linhas de montagem. Nessa toada, a Fiat ganhou terreno. A reboque, também fechará como líder de vendas na América do Sul, com participação acima de 14%.

Estrutura

Mas o ganho de mercado se deve a alguns fatores que vão além da capacidade de entregar insumos. A planta da Stellantis de Betim é uma das protagonistas desse processo de retomada. A fábrica, inaugurada em 1976, se tornou a principal unidade da marca italiana. E hoje, mesmo num grupo com 15 marcas e unidades espalhadas pelo mundo, Betim ainda é a maior fábrica do grupo e uma das maiores do mundo.

Polo industrial de Betim

No entanto, não basta ter capacidade fabril elevada. Betim se tornou um dos pilares da estratégia da Stellantis e, claro, da Fiat. A fábrica é capacitada para desenvolver um produto do zero e finalizá-lo sem a necessidade da realização de etapas em outras unidades ao redor do mundo. 

“Há 45 anos, a Fiat iniciou suas operações aqui em Betim e começou a produzir automóveis que agradaram o consumidor de todo o Brasil. Investimos muito, inovamos sempre e impulsionamos a instalação de dezenas de fornecedores no entorno de nossa fábrica. Como resultado, consolidamos um extenso e diversificado parque industrial automotivo, conquistamos a liderança do mercado brasileiro e sul-americano e empregamos milhares de pessoas que desenvolveram seus talentos e são hoje nosso grande diferencial”, aponta o presidente da Stellantis para a América do Sul, Antonio Filosa. 

Centro de estilo

Hoje, a fábrica conta com centro de desenvolvimento de produtos, que faz parte de um centro de análise de mercado, onde são definidos os rumos de novos produtos. O Design Center permite que o time local converta as especificações do novo produto em um design final. 

Esse design e suas características são levadas para a engenharia. Lá são definidos os parâmetros que tornam aquele conceito viável. Tudo é criado em ambiente computacional e validado em simulações que representam situações reais de uso, como comportamento da suspensão no solo, ruídos emitidos e até fatores climáticos.

Polo industrial de Betim

Depois disso, são construídos os protótipos para validar o que a computação já tinha previsto. Eles entrarão nas câmaras de calor, câmaras frias e tudo mais que reproduz as condições de uso que o veículo enfrentará durante a vida útil. 

Quando o carro fica pronto, basta fazer o teste de colisão, lá dentro da fábrica mesmo, onde funciona um laboratório específico para essa finalidade. Ou seja, da ideia ao carro pronto, é possível fazer tudo nas instalações de Betim.

“O salto da Fiat foi dado em 2001, com a inauguração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Giovanni Agnelli. Até então, fazíamos poucas etapas do processo de desenvolvimento de um veículo. Mas conseguimos acumular conhecimento e experiência, que nos tornaram capazes de desenvolver e projetar veículos a partir do zero”, explica o responsável pelo Tech Center Stellantis South America, Marcio Tonani. 

Ou seja, com todo processo de desenvolvimento de produto concentrado na planta mineira, a Fiat tem sido capaz de entender a demanda de mercado e responder com rapidez. A fábrica não atua apenas no desenvolvimento para modelos Fiat. Betim tem sido protagonista na elaboração de novos produtos da Stellantis, como o Jeep Commander, assim como o novo Citroën C3, dentre outros modelos que atenderão ao mercado brasileiro, latino e até mesmo para outros continentes. 

Polo industrial de Betim

Betim atua diretamente com a moderna planta de Goiana (PE), de onde saem os modelos Fiat Toro, assim como os SUVs Renegade, Compass e Commander, da Jeep. A planta pernambucana conta com o que há de mais moderno em conceito de linha de montagem. Compacta, iluminada e automatizada, só em 2021, a unidade foi responsável pelas vendas de mais de 200 mil unidades, sendo 65 mil apenas da Toro.

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