A falta de carros zero km no mercado e o aumento do interesse por seminovos ajudaram a aumentar a demanda em oficinas de todo o país na época em que a busca por serviços mecânicos já é tradicionalmente maior, em virtude das viagens de fim de ano. A procura cresceu 10,96% neste dezembro em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com o Sindirepa, o Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios. 

No Estado, a Assora, Associação das Oficinas Reparadoras de Automóveis de Minas Gerais estima alta no mesmo patamar nos mais de 2.500 estabelecimentos do tipo na capital.

Segundo Carlos Ramon de Melo, presidente da Assora, um dos fatores que explica o aumento da demanda é a chegada das férias. 

“Apesar da pandemia, este ano temos o avanço da vacinação contra a Covid-19 e muitas famílias estão se programando para voltar a viajar. Agendam a revisão do carro para pegarem a estrada mais tranquilas”, explica.

Além da movimentação típica para a época, Melo cita que a falta de carros zero km no mercado – resultado da escassez de microchips para os componentes eletrônicos dos veículos – também contribuiu para o maior movimento nas oficinas. 

“As negociações de carros usados tiveram um boom neste ano, um aumento de 30% em Minas toda e BH, ocupando espaço dos modelos novos. Sem os carros novos, as pessoas migraram para a alternativa do seminovo que, naturalmente, exige mais manutenção”, afirma. 

Segundo Melo, quem deixa para agendar o serviço de última hora pode ficar sem atendimento neste fim de ano.
Dona de quatro oficinas em BH, Suelen Costa de Deus atua no setor automotivo há mais de 10 anos e diz que a procura pelos serviços aumentou 70% neste fim de ano. 

“Além das férias nas épocas festivas, no fim de ano, com as chuvas, a quantidade de carros rodando também é maior, o que aumenta o risco de colisões e reflete na procura pela especializada em funilaria e pintura”. Para dar conta da demanda, Suelen contratou oito funcionários.

Inflação

Mesmo com a alta procura, o setor também sente o reflexo da escalada da inflação no último ano. “Antes, jogava a margem de lucro para 50%, até 60%. Atualmente, compramos a peça e colocamos uma margem de lucro entre 20% e 30%. Não conseguimos colocar isso para o mesmo cliente de 2019”, estima Suelen.

Segundo a empresária, em 2019, o lucro era garantido com o atendimento de três carros, mas em 2021 é preciso dobrar a quantidade de automóveis e equilibrar o repasse ao cliente, que está com o poder de compra comprometido.

“Em 2019 e 2020, a gente pagava R$ 15 por um óleo top de linha. Hoje, pago R$22 e eu não pude aumentar proporcionalmente para o freguês”, diz. 
Já para o consumidor, o que salgou foi a mão de obra. “Em 2019, cobrava R$40 pelo alinhamento. Hoje, cobro de R$ 70 a R$ 80, dependendo do carro”.

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