Diante do agravamento do surto de gripe no Rio de Janeiro e em São Paulo, a Prefeitura de Belo Horizonte entrou em estado de alerta em relação à doença. Nesta quinta-feira (16) a Sociedade Brasileira de Virologia (SBV) confirmou que o vírus que tem causado infecções é uma mutação da Influenza A H3N2, denominada H3N2 Darwin. 

O vírus foi descoberto na cidade de Darwin, na Austrália e possui sete mutações na proteína hemaglutinina, a mais importante para oferecer proteção contra o vírus. De acordo com a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo especializada no vírus da gripe, o Influenza A H3N2 já circula no país há muito tempo, mas a nova cepa não está no composto da vacina disponível neste ano. 

Em entrevista ao Hoje em Dia, a médica explicou que os sintomas da doença são parecidos aos da Covid-19, porém não possui o mesmo índice de agravamento. “Normalmente a Influenza não é um vírus tão grave quanto ao Coronavírus. A  taxa de complicação dos casos confirmados é muito menor, havendo algumas complicações leves para pessoas com comorbidades”, afirmou.

Até a última quarta-feira (14), a Secretaria Municipal de Saúde registrou 373 mil atendimentos por doenças respiratórias nos centros de saúde. Entre os dados estão incluídos diagnósticos referentes a gripes causadas pelo vírus da influenza, além de outras doenças virais como pneumonia e infecções agudas.

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que, até o momento, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) detectou, nas últimas três semanas,  67 amostras clínicas com a presença do vírus influenza A H3N2. Os exemplares detectados partiram de pacientes de 22 cidades mineiras e um do Rio de Janeiro. 

“O predomínio das detecção concentra-se em pacientes com Síndrome Gripal provenientes da Macrorregião de Saúde Sudeste, com 53,7%, seguida da Macrorregião de Saúde Centro, com 20,9% e da Centro Sul com 9,0%. As macrorregiões de Saúde Sul, Vale do Aço, Leste, Oeste e Leste do Sul detectaram a presença do Influenza A/H3N2 em uma ou duas amostras cada, e demais macrorregiões não tiveram a detecção de nenhum vírus da influenza em 2021”, informou a SES por meio de nota. 

Prevenção

Diante o cenário de um provável surto global de gripe, a Organização Mundial da Saúde recomendou a atualização, para 2022, da vacina existente contra a doença com o vírus influenza A H3N2 Darwin. Por meio de nota, a Sociedade Brasileira de Virologia explicou que é comum que os imunizantes sejam renovados. “Os vírus da gripe sofrem mutações constantes e, por isso, as vacinas contra a gripe devem ser sempre atualizadas”

A prevenção da doença já é bem conhecida de todos os brasileiros, principalmente durante a pandemia da Covid. Além da higienização correta e constante das mãos e distanciamento social, o uso de máscara é essencial para evitar o contágio. “O surto está acontecendo por conta da nova cepa, mas, vira e mexe, o vírus sofre uma mutação. A verdade é que as pessoas ficaram muito tempo isoladas e, consequentemente, sem ter influenza, e, de repente, todos começaram a conviver, viajar e o vírus a circular”, afirmou Nancy Bellei.

Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde informou que imunizou cerca de 75% da população. A vacina fornecida pelo Ministério da Saúde é trivalente, ou seja, combate três vírus: H1N1, H3N2 e influenza B. “Desde o dia 19 de julho, a vacina contra a gripe está sendo aplicada na população em geral, a partir dos 6 meses de idade. O imunizante é enviado pelo Ministério da Saúde e continuará disponível para a população enquanto houver imunizante nas unidades”.

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