Criadores de cavalos geralmente selecionam o animal matriz para cruzar com as melhores éguas. Quem entende do assunto garante que se trata de um negócio milionário. Um puro-sangue pode custar verdadeira fortuna. Daí a Ford percebeu que poderia combinar genes de diferentes potros para chegar ao garanhão perfeito, que ela batizou de Mustang Mach 1.

O Mach 1 acaba de ser apresentado no Brasil e chega com preço de cavalo de exposição, por nada modestos R$ 499 mil. A versão que surgiu no final dos anos 1960 retorna agora como série limitada.

O status de equino premiado se dá pela adoção de elementos retirados dos espécimes mais brutos, como a suspensão traseira (com amortecedores com ajuste magnético de carga) e os defletores do Shelby GT 500, o coletor do Shelby GT 350 e o corpo de borboletas do Bullit. O resultado foi um potro equilibrado, com comportamento dinâmico perfeito entre o carro de rua e aspirante a corredor.

Outros recursos são o defletor inferior traseiro. Ele, além de proteger o bloco, direciona o fluxo de ar para os discos de freio. A solução aumenta o resfriamento do sistema Brembo (com pinças de seis pistões), o que reduz o risco do chamado efeito fading - quando os discos superaquecem e perdem capacidade de frenagem. Também recebeu radiador do diferencial do GT 500 para dispersar o calor ds sistema de transferência de torque.

Motor do Mach 1

Seu V8 5.0 “Coyote” foi ajustado para 483 cv e 56,7 kgfm de torque. São quase 20 cv a mais que o Mustang GT convencional, graças às peças de alimentação retiradas das demais versões. O torque é o mesmo. No entanto, as melhorias na suspensão e aerodinâmica fazem dele bem mais esportivo e afinado.

O Coyote é acoplado a uma transmissão automática de 10 marchas que oferece trocas rápidas e relações que garantem arrancadas vigorosas e ao mesmo tempo busca conter a sede desenfreada dessa usina com volume de cinco blocos 1.0. Seu escapamento conta borboletas que reduzem e amplificam o ruído do em quatro “volumes”.

Por dentro

A atual geração do Mustang (assim como a passada) faz referência ao modelo original de 1964. O interior do Mach 1, por sua vez, presta homenagem à primeira edição de 1969. Os bancos receberam o mesmo padrão de costura da versão original. Ele ainda conta com plaqueta numerada, que identifica cada unidade da série.

Ao contrário do carro dos anos 1960, o novo Mach 1 é moderno e conta com assistentes de condução, quadro de instrumentos digital, sistema de áudio Bang & Olufsen (de 1.000 watts), multimídia Sync 3 (com navegador GPS nativo e conexão para Android Auto e Apple CarPlay).

Visual

O visual do Mach 1 difere das versões convencionais do Mustang graças ao novo para-choque dianteiro, os difusores traseiros, que compõem com as quatro largas ponteiras do escapamento, assim como as enormes rodas de 19 polegadas. Na grade ele reproduz os “copos” dos faróis auxiliares do carro original, mas sem as luzes.

A Ford inclusive criou um padrão de acabamento exclusivo, com direito a faixas com filetes em laranja, que são reproduzidos nos bancos e demais penduricalhos para distinguir a série especial. Mas diante dos irmãos Shelby, ele é bem mais pacato. Mesmo assim, não deixa de ser um belo “espécime” no excêntrico haras que se tornou a Ford no Brasil.