Um e-mail enviado pelo gabinete do prefeito Alexandre Kalil (PSD) a todo o primeiro escalão da PBH, dizendo que ninguém, a não ser ele próprio, poderia atender pessoalmente 13 dos 41 vereadores da cidade, tornou ainda mais delicadas as relações entre Executivo e Legislativo na capital. 

A mensagem, assinada pela secretária direta de Kalil, Elisabeth Cristina Silva, foi endereçada a parlamentares que se opuseram ou se abstiveram, no início da semana passada, durante votação de um Projeto de Lei que permitiria à PBH contrair cerca de R$ 1 bi junto ao BIRD para obras contra enchentes no município. O projeto foi recusado por um voto de diferença.

Na Câmara Municipal, ontem, vereadores disseram ter visto o comunicado de Kalil como uma retaliação pela derrota sofrida em projeto que ele considerava crucial. Já segundo a assessoria da PBH, a iniciativa teria sido, simplesmente, uma forma encontrada pelo prefeito para que pudesse “conversar pessoalmente com os parlamentares e entender os motivos de terem votado contra um projeto tão importante para a cidade”.

O e-mail, que circulou nas redes sociais, foi enviado, na verdade, em 17 de março, um dia após a rejeição ao PL do empréstimo. No texto, o mandatário da capital cita os parlamentares que, se quiserem falar com a PBH, deverão procurar somente o prefeito - que, por sua vez, os atenderá, “pessoalmente, quando julgar necessário”, conforme o documento.
São eles Bráulio Lara, Fernanda AltoÉ e Marcela Trópia (Novo); Cláudio do Mundo Novo (PSD); José Ferreira, Professora Marli, Rubão e Wilsinho da Tabu (PP); Ciro Pereira (PTB); Flávia Borja (Avante); Nikolas Ferreira (PRTB); Juliano Lopes (PTC) e Wesley (Pros).

Em nota, após confirmar a veracidade do e-mail, a assessoria da PBH informou que que Kalil não está se negando a dialogar com nenhum parlamentar. O secretário de governo da Prefeitura, Adalclever Lopes, disse, por sua vez, que a posição de Kalil é um esforço para compreender os pontos de vista que levaram à rejeição do PL. “O prefeito quer recompor a base, dialogar, não existe isso de retaliação”, destaca.

Na Câmara da capital, a divulgação do e-mail causou indignação entre os vereadores que teriam se sentido “barrados“por Alexandre Kalil. O líder do bloco de oposição “Somos mais BH”, Juliano Lopes (PTC), por exemplo, classificou a atitude como “lamentável” e disse que ela demonstra a “forma ditatorial” como o chefe do Executivo municipal comanda a cidade. 
“O prefeito deve estar achando que somos funcionários dele, mas esqueceu que a Câmara é um poder independente”, frisou.

A líder da bancada do Novo no Legislativo municipal, Marcela Trópia, rechaçou a medida de Kalil e disse que a decisão impede os vereadores de exercerem o papel técnico que lhes cabe. “O prefeito precisa entender que a Câmara Municipal não é um enfeite. Uma das suas funções é justamente fiscalizar o que a Prefeitura faz com o nosso dinheiro, ainda que o prefeito nos ameace e tente impedir a gente de trabalhar”, afirmou a vereadora.

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