O grupo de alimentação e bebidas castigou o bolso dos consumidores neste ano, com alta acumulada de 14,36%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) neste mês atingiu 1,05%, superior ao 0,81% apurado em novembro e à maior taxa mensal do IPCA-15 desde junho de 2018 (1,11%). No ano, o índice atinge 4,23%, acima do centro da meta de 4% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). As maiores pressões em 2020 vieram, principalmente, da alta de preços do arroz e das carnes.

Em Belo Horizonte e Grande BH, houve uma pressão ainda maior. O IPCA-15 apresentou aumento de 1,13% na prévia deste mês, o sexto maior resultado mensal entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE. No entanto, se levar em consideração o acumulado em 12 meses, ficou com o terceiro maior resultado, com 4,69%, perdendo apenas para Fortaleza (5,79%) e Recife (5,06%).

Assim como no país, as maiores pressões nos preços em BH e região em dezembro ficaram com alimentação e bebidas (2,38%), habitação (1,90%), artigos de residência (1,32%), transportes (1,16%), além de comunicação (0,76%) e despesas pessoais (0,50%). Apenas dois itens tiveram índices negativos: saúde e cuidados pessoais (-0,15%) e educação (-0,46%).

Na avaliação do economista Márcio Salvato, do Ibmec, desde o início da pandemia, em março deste ano, as pessoas mudaram o padrão de vida, consumindo mais em casa, indo mais ao supermercado, e a cadeia produtiva não acompanhou a mesma velocidade. 

Ele avalia que a inflação deste ano deve superar o centro da meta. “Ainda não é o caos, porque está dentro da meta, mas o esperado era que o índice ficasse abaixo do centro da meta (4%). Em 2021, a inflação vai voltar na pauta de discussões do Ministério da Economia, da política econômica, e a taxa de juros vai ter uma reversão”, enfatiza. 

Hoje o centro da meta de inflação é de 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para o economista, estamos vivendo uma inflação de commodities por causa da capacidade de produção mundial, que não acompanha a demanda, além da pressão do câmbio, que jogou os preços para cima. “Com o excesso de demanda, os preços sobem. E vamos continuar com pressão. Vem reajuste de salários, aluguéis, luz, água, reajuste de material escolar. Pode esperar que janeiro continua com pressão na inflação”, avalia. 

A alta de preços neste ano fez com que a aposentada Maria José Cordeiro Segantine mudasse alguns hábitos de consumo. “Tudo aumentou e o salário não dá para pagar as despesas. Substituí um pouco das compras do lar. Hoje, diminui um pouco a carne de primeira e compro mais frango e a carne de porco”, conta, lembrando que só os remédios consomem quase metade da aposentadoria de um salário mínimo por mês.