Apesar da pandemia do novo coronavírus ter impactado negativamente alguns segmentos do agronegócio em Minas, como o de floricultura, de peixes ornamentais e da agricultura familiar – devido às dificuldades de concretização das compras do Programa Nacional de Alimentação Escolar –, no geral houve uma valorização nos preços dos produtos e aumento no volume de produção. O Estado inclusive negocia um aumento das exportações de cafés de qualidade para a China.

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Segundo o subsecretário de Política e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Ricardo Albanez, houve um aumento das exportações em função do próprio crescimento do mercado asiático, com a retomada após o período de paralisação. 

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“De janeiro a outubro, as exportações atingiram US$ 7,2 bilhões. Cresceu muito a compra de açúcar, grãos de soja e carnes. A China comprou 28,5% dos nossos produtos e passou a ser o nosso principal parceiro”, conta.

Dos US$ 7,2 bilhões, o café representou 40,8%, a soja, 24%, carnes, 11,7% e os produtos florestais, 6,1%. “Temos feito reuniões com a participação da embaixada brasileira na China para mostrar ao empresariado chinês as diferenças dos nossos cafés, tentando levar o produto para cafeterias, um café brasileiro de qualidade, o gourmet”, salienta.

Neste ano, mesmo com a pandemia, segundo o subsecretário, os números são extremamente positivos. “O Valor Bruto da Produção (VBP), divulgado mensalmente pelo Ministério da Agricultura, é estimado em R$ 90,9 bilhões neste ano, o que representa um crescimento de 23% em relação ao ano passado”, garante João Albanez. Esse indicador representa uma estimativa de geração de renda no meio rural.

“Tivemos ganhos tanto no aumento da produção, mas também no valor dos produtos. Foi uma combinação que ajuda muito no cálculo do VBP. E essa combinação ocorreu para o café também, nós tivemos safra recorde. E nos grãos, tivemos uma valorização significativa”, afirma o subsecretário, lembrando que houve um aumento do consumo não só no mercado interno, como no externo.

O subsecretário salientou também que mesmo com a pandemia, em momento algum houve risco de insegurança alimentar no Estado e no país. “Num primeiro momento, a população foi ao supermercado acreditando que haveria desabastecimento, mas o setor respondeu de forma muito positiva, mostrando que a população poderia ter a tranquilidade no abastecimento”, conta, lembrando que isso ficou claro à medida que as Ceasas funcionavam e que os laticínios e frigoríficos também permaneciam com suas atividades.

João Albanez ressalta também que o Estado tem um papel fundamental para que o alimento não falte na mesa dos mineiros, com atuação de 1.600 funcionários da Emater, levando políticas públicas para os produtores, e a atuação do IMA, que conta com cerca de 1 mil funcionários responsáveis para inspeção dos produtos de origem animal, como o queijo, o leite, a carne e a própria comercialização e vegetais.

A coordenadora da Assessoria Técnica da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, conta que durante o momento mais crítico da pandemia a entidade tomou diversas medidas, como lançamento de cartilhas orientando os sindicatos rurais para evitar a propagação da doença e manter as atividades no campo. 

Além disso, houve uma preocupação muito grande em relação ao escoamento da produção e para facilitar a concessão de crédito rural como fôlego para que os produtores vencessem esse período.

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