pesar da disparada do preço da carne vermelha neste semestre, reflexo da entressafra no campo e da preferência de muitos criadores em vender o alimento para o exterior em detrimento do mercado doméstico, o custo da cesta básica em Belo Horizonte diminuiu 2,07% no acumulado dos últimos 12 meses, encerrando novembro em R$ 393,58.

“Esta queda, de certa forma, está alinhada com a inflação do país, em baixa. Reflete uma economia que está estagnada”, avaliou Carlos Machado, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O recuo no preço da cesta foi possível graças às quedas expressivas de alguns produtos, sobretudo a do tomate. Vilão num passado remoto, o quilo do alimento em novembro de 2019 foi 65,59% menor do que o do mesmo mês de 2018.

No país, o maior recuo no preço do tomate foi em BH. Motivo: a oferta em grande escala, diz Machado. “Houve antecipação da safra do tomate, devido ao calor”.

Destaque ainda para os recuos do café (-12,46%) e da manteiga (-11,42%). “Por sua vez, na mesma base de comparação, subiram o feijão (48,84%), a banana (42,16%) e a batata (21,92%)”, explicou.

O preço da carne também subiu dois dígitos em 12 meses (13,39%). Só de outubro para novembro a alta foi de 9,87%.

Em nível nacional, o Dieese constatou que a carne bovina de primeira apresentou aumento de preço em todas as cidades. 

“As altas variaram entre 1,15%, em Recife, e 19,37%, em Vitória. Em 12 meses, houve redução apenas em Aracaju (-5,71%), enquanto os aumentos foram de 1,30%, em Campo Grande, a 30,81%, em Florianópolis.

Altos volumes de carne têm sido exportados para a China, devido ao ano novo chinês. O período também é de entressafra bovina e o custo de reposição do bezerro está muito alto. Por fim, o dólar valorizado estimulou as exportações. Todos esses fatores encareceram o valor da carne no varejo”, divulgou o Departamento.

A capital com a cesta mais cara foi Florianópolis (R$ 478,68), seguida de São Paulo (R$ 465,81).

Em novembro de 2019, levando-se em conta o descrito pela Constituição da República, o Dieese destaca que o salário mínimo deveria ser de R$ 4.021,39 (4,03 vezes o piso nacional atual, de R$ 998) para garantir o sustento de uma família com dois adultos e duas crianças

Trabalhador gasta quase 43% do salário mínimo para a aquisição dos produtos

Quem ganha um salário mínimo (R$ 998) usou 42,87% do salário líquido (R$ 918,16) – após o desconto da Previdência Social – para comprar uma cesta básica em BH. No âmbito nacional, este percentual foi de 44,05%.

O Dieese faz esta conta para ilustrar ainda a quantidade de horas trabalhadas necessárias para se pagar a chamada “ração básica”. Neste caso, na capital mineira, quem recebe o piso nacional precisou trabalhar 86 horas e 46 minutos. No país, o tempo médio totalizou 89 horas e 10 minutos.

Levando-se em conta uma família de dois adultos e duas crianças, e supondo-se que as duas crianças consumam juntas o equivalente a um adulto, o trabalhador belo-horizontino gastou R$ 1.180,74 somente para cobrir a despesa mínima familiar com alimentação.

"Com base no custo da cesta básica das diversas capitais pesquisadas e considerando-se ainda o peso das demais despesas no orçamento familiar, o Dieese estima, mensalmente, o valor necessário para atender as necessidades básicas do trabalhador e da família, conforme assegura o art. 7º, item IV da Constituição Federal. Para atender esse preceito constitucional, o salário mínimo, em novembro de 2019, teria que ser de R$ 4.021,39 ou 4,03 vezes o piso nacional, de R$ 998”, defendeu o Dieese.
 

x