Quem acessar o Twitter nesta quarta-feira (6), vai ver no topo dos trending topics mundiais (os assuntos mais comentados na rede social) as hashtags #ImpeachmentBolsonaro e #BolsonaroTemRazão. Elas são consequências de uma postagem de Jair Bolsonaro em sua conta no Twitter onde divulgou um vídeo com conteúdo escatológico e pornográfico. 

A publicação foi feita nessa terça-feira (5), onde ele escreveu: "Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões". 

Depois de muitos internautas denunciarem a postagem por conta de seu conteúdo impróprio, ela passou a ser sinalizado com o aviso "pode conter material sensível". As imagens mostram a nudez de dois homens e um deles chega a urinar no outro. 

Mas segundo o Twitter, o vídeo não viola a política de conteúdo de mídia da rede social, já que ela permite algumas formas de violência explícita e/ou conteúdo adulto nas postagens que forem marcadas como "mídia sensível".   

A indicação de que a postagem pode conter "mídia sensível" pode ser colocada pelo Twitter ou pela sinalização dos usuários da rede. Além disso, a reprodução automática do conteúdo pode ser bloqueada nas configurações de segurança do perfil de cada um. 

Entre os tuítes com a hashtag #ImpeachmentBolsonaro, são feitos pedidos de exame psiquiátrico para o presidente, além de acusações de quebra de decoro. "Bolsonaro é um sujeito vulgar e sem ética que não vê problema em expor um vídeo de pornografia no seu perfil oficial do Twitter. É um vigarista charlatão e, acima de tudo, um despreparado para o cargo que ocupa", escreveu um usuário da rede.

Do outro lado, as postagens com #BolsonaroTemRazão apontam que o presidente estava apenas fazendo uma denúncia. "Fazer pornografia em área pública na frente de família e criança não tem problema. O problema é o Bolsonaro postar. A que nível chegou esse pessoal...", tuitou outra usuária.

Repercussão internacional

O tuíte de Bolsonaro está sendo bastante repercutido pela imprensa internacional. O jornal norte-americano The New York Times, por exemplo, definiu a situação como uma "revolta" do presidente brasileiro diante da cena e ressalta que o post tinha o objetivo de criticar o Carnaval e que "muitos conservadores da maior nação latino-americana detestam" as festividades da época, vista por eles como pagãs. 

Publicações britânicas, os jornais Daily Mail, The Independent e Daily Mirror enfatizaram o aspecto explícito do vídeo, no qual um homem aparece urinando no cabelo de outro. O Daily Mail lembrou que Bolsonaro foi alvo de protestos e zombaria de muitos foliões durante os blocos de carnaval, e citou o boneco gigante presente nos desfiles do carnaval de rua de Olinda (PE).

O The Independent mencionou ainda a sequência dada à polêmica pelo próprio presidente ao publicar outro tuíte. "O que é golden shower?", escreveu Bolsonaro. Segundo o jornal, "os brasileiros rapidamente condenaram o tuíte de Bolsonaro como algo que não representa o Carnaval" e ressaltou que usuários do Twitter têm reportado o vídeo como sendo de conteúdo inapropriado.

Para o jornal Daily Mirror, que publicou o vídeo em destaque na reportagem, Bolsonaro se destaca por sua reputação "racista, sexista e homofóbica". O veículo inglês relembrou outros momentos polêmicos de Bolsonaro quando o agora presidente ainda era deputado federal, como quando disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria por falta de mérito da parlamentar e de uma entrevista dada à revista Playboy em 2011 na qual Bolsonaro se disse "incapaz de amar um filho homossexual".

Além dos jornais, grandes agências internacionais como Reuters e Associated Press também publicaram textos a respeito do tuíte do presidente brasileiro.

* Com Estadão Conteúdo. 

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